domingo, 22 de outubro de 2017

Olhares Diferentes Sobre o Romeu na Imargem...


A exposição colectiva de Artes Plásticas, "Romeu Correia 1917- 2017", da Imargem, foi inaugurada na sexta-feira, às 21 horas.


Além de se apreciarem e comentarem as obras expostas, que honram a memória do grande escritor almadense, houve ainda espaço para se trocarem impressões, ouvir alguns testemunhos de quem conheceu Romeu Correia e saborear um moscatel.


A exposição pode ser visitada na galeria da Imargem até ao dia 7 de Novembro. Recomendamos à sua visita a todos aqueles que gostam do Romeu e da sua obra, assim como da arte dos pintores desta associação.

(Fotografias de Luís Eme)

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Exposição de Artes Plásticas na Imargem


Romeu Correia é homenageado pela Imargem, com a Exposição de Artes Plásticas Colectiva, "Romeu Correia 1917-2017", na sua sede-galeria, que será inaugurada no dia 20 de Outubro (sexta-feira), às 21 horas.

Estarão patentes na exposição obras de: Conceição Freitas, Conceição Silva, D' Souza, Elsa Oliveira, Fátima Ramos, Fernanda Ferreira, Fernanda Guerreiro, Fernando Cacela, Francisco Palma, José António Silva, Louro Artur, Marcos Reis, Maria Aline, Maria Bargado e Susana Horta.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Mas Romeu já Está no Mapa de Almada...


Hoje lemos no "Diário de Notícias" um artigo de opinião curioso, de José Jorge Letria, presidente da SPA e pensámos logo no Romeu Correia.

[...] «Chamo a atenção para a oportunidade do lançamento de uma iniciativa intitulada Mapa dos Autores Portugueses, que a Sociedade Portuguesa de Autores está a concretizar, demonstrando que muitas são as autarquias e regiões cuja identidade se fortalece com a referência aos escritores, músicos, artistas visuais, dramaturgos e outros que nelas nasceram e se afirmaram como criadores de referência.
Faro é a cidade de António Ramos Rosa, Funchal de Herberto Helder, Vila Viçosa de Florbela Espanca, Setúbal de Manuel Maria Barbosa du Bocage, o Porto de Almeida Garrett, Sophia de Melo Breyner e José Gomes Ferreira, Lisboa de Cesário Verde, David Mourão-Ferreira, Alexandre O"Neill e Mário Cesariny, e Tomar de Fernando Lopes-Graça.
É possível, a partir destes e de dezenas de outros nomes importantes, sobretudo da segunda metade do século XIX e de todo o século XX, construir uma geografia de memória e afecto que abarque os nomes e as obras que nos completam e engrandecem. O Mapa dos Autores Portugueses pode e deve envolver as autarquias, eventualmente o Ministério da Educação e outras instituições públicas que representem o poder central, e ainda órgãos de comunicação social, editoras e estruturas associativas de referência. Como alguém disse, é até admissível que a partir deste quadro geral se possa criar uma toponímia mais abrangente e mobilizadora.
Até agora foram já identificados mais de 120 nomes que permitirão estabelecer uma relação de proximidade e celebração que envolva a SPA e muitas autarquias de todo o país.»

Espero que Romeu Correia esteja na lista de 120 nomes...

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Almoço e Aula Aberta na USALMA


No dia 17 de Outubro (terça-feira) realiza-se um almoço de homenagem a Romeu Correia (13 horas) no bar da USALMA e também uma Aula Aberta (14.30 horas) a todos os que queiram conversar sobre Romeu Correia.

domingo, 15 de outubro de 2017

O Postal de Romeu Correia...


Ontem durante a inauguração da "XI Mostra de Filatelia e Coleccionismo" da ARPCA foi possível adquirir o Postal, o selo, o carimbo e o envelope, criados para homenagear Romeu Correia, o grande escritor almadense na passagem do centenário do seu nascimento.

sábado, 14 de outubro de 2017

Romeu Correia na USALMA


Ontem à tarde a USALMA inaugurou a "Exposição Centenário (1917 - 2017)", na sua sede e da APCA, com a presença de inúmeros alunos e amigos.


Houve poesia, música, leituras encenadas e bastante convívio em redor de Romeu Correia (a grande entusiasta de mais esta iniciativa foi a professora Edite Condeixa, sempre bem acompanhada pelas suas queridas colegas e amigas...)

(Fotografias de Luís Eme)

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

O Coleccionismo Almadense Homenageia Romeu Correia


No próximo sábado, às 16 horas, será inaugurada a XI Mostra de Filatelia e Coleccionismo, na Oficina de Cultura de Almada, que será dedicada a Romeu Correia.

Irão ser editadas as seguintes peças filatélicas: um selo personalizado, um postal máximo, um envelope de primeiro dia e um carimbo comemorativo concedido pelos CTT.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

As Homenagens a Romeu Correia Vão Atingir o Ponto Alto em Outubro e Novembro...


As Homenagens a Romeu Correia vão atingir o ponto alto em Outubro e Novembro, com alguma naturalidade, pois aproxima-se a data do seu aniversário (17 de Novembro).

Na próxima sexta-feira, às 15 horas será inaugurada a "Exposição Centenário (1917 - 2017)", uma mostra biobibliográfica organizada pela APCA e pela USALMA, nas suas instalações.

Esta exposição sobre Romeu Correia está dividida em cinco pontos: a Vida; a Obra; os Pintores e a Obra de Romeu Correia; Cartazes; Obra Dramática não Publicada.

Será um evento a não perder, por todos os amantes da vida e obra de Romeu Correia.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

É Fácil Gostar de Romeu Correia


Eu sei que é fácil gostar de Romeu Correia.

Também sei que por estarmos num ano festivo, há muitos que se escondem atrás da festa e evitam dizer o que sentem (e ainda bem, pelo menos não estragam as festividades...).

Mas de uma forma geral o Romeu era uma pessoa agradável. Tenho a certeza de que uma boa parte dos alunos que receberam a sua visita nas escolas onde andavam, ficaram com uma boa impressão, não fosse ele um delicioso contador de histórias.

O mesmo se passou com todos aqueles que participaram em visitas guiadas por Almada, Cacilhas e pelo Ginjal, pois o Romeu não escondia o pitoresco, antes pelo contrário, buscava a graça natural das coisas e colava aqui e ali, algum saber lendário... E toda a gente saía encantada nos seus passeios com palavras, gentes e história...

É por tudo isso que eu sei que é fácil gostar de Romeu Correia.

(Fotografia de Autor desconhecido)

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Romeu Correia e a Associação de Socorros Mútuos 1º. Dezembro


Hoje o Blogue "Almada Virtual Museum" faz um pouco a história da Associação de Socorros Mútuos 1.º Dezembro, socorrendo-se de um manuscrito (que nunca chegou a livro, nem mesmo na comemoração do centenário do nascimento do seu autor, António Henriques, um dos grandes associativistas da nossa Terra...) de grande valor histórico, até aqui esquecido, em parte graças ao facto de a "ignorância ser mesmo atrevida"...

Romeu Correia também é recordado através da transcrição da sua crónica, "Cem anos de Amor ao Próximo", publicada no "Jornal de Almada" de 25 de Novembro de 1983, e escrita de homenagem a esta Associação mutualista de Almada.

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Homenagem da SCALA a Romeu


Embora a exposição dedicada a Romeu Correia esteja programada para Novembro (inauguração a 11 de Novembro), já está afixado na sede da SCALA - Sociedade Cultural de Artes e Letras de Almada, um cartaz de homenagem a Romeu Correia.

domingo, 24 de setembro de 2017

Romeu e a Crítica Literária de João Gaspar Simões


Se falei do volume da crítica teatral, não poderia ignorar o de crítica literária ("Crítica III- Romancistas Contemporâneos, 1942 - 1961"), no qual João Gaspar Simões fala das seguintes obras de Romeu Correia: "Trapo Azul" (p 267); "Calamento" (p 273); "Gandaia" (p 278).

Achei curiosas as palavras do crítico ao escritor Romeu Correia, na sua primeira nota crítica:  [...] «Romeu Correia, autor de dois livros apenas, Sábado sem Sol, que não conheço, e Trapo Azul, de que me estou ocupando - é um jovem cheio de talento que insuflou ao "neo-realismo" decrépito uma vida que o "neo-realismo" nunca tivera entre nós. Ao que suponho, Romeu Correia não é um bacharel enamorado dos bas-fonds da vida proletária nacional - é um operário que no seu autodidactismo encontrou maneira de animar literariamente a experiência de algumas vidas que ao trabalho manual devem as canseiras do corpo e as feridas do coração.» [...]

sábado, 23 de setembro de 2017

Romeu e a Crítica Teatral de João Gaspar Simões


A Imprensa Nacional - Casa da Moeda editou a Crítica de um dos mais conceituados críticos literários do nosso país, João Gaspar Simões.

Há dois volumes que fazem referência à obra de Romeu Correia. Um deles é o "Crítica VI - O Teatro Contemporâneo, 1942 - 1982".

Quem se interessa por teatro poderá ler neste volume a crítica às seguintes peças de Romeu: "Jangada" (p 154); "Bocage" (p 165); "Amor de Perdição" (173); "Três Peças: Sol da Floresta, Laurinda e Céu da Minha Rua" (p 183); "O Cravo Espanhol (199).

É importante destacar que João Gaspar Simões gostou de uma forma geral da obra romanesca e teatral de Romeu Correia.

Foi por isso que numa das suas entrevistas, Romeu ("Ponto", 20 de Maio de 1982) se referiu desta forma ao crítico: «Gaspar Simões foi o grande crítico da minha geração. Todos os escritores portugueses que tiveram (ou tenham) algum merecimento, ele não os esquece, ele os referiu e refere, Tenho para com ele, uma grande dívida de gratidão: tratou de maneira benévola e reconfortante, os meus primeiros três romances, o que constituiu poderoso estimulo para o escritor incipiente que eu era.»

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Repertório Básico de Peças de Teatro


Em 1986 a Secretaria de Estado da Cultura, mais concretamente a Divisão Geral de Acção Cultural - Divisão de Teatro, editou o álbum, "Repertório Básico de Peças de Teatro" da autoria de Duarte Ivo Cruz.

Esta obra tinha como público alvo principal os grupos de teatro amador e funcionava quase como um guia (é descrito o autor, o género, a estrutura, o ambiente e época, as personagens, o enredo e a edição). 

Romeu Correia está representado com três peças ("Céu da Minha Rua" - 1955; "Amor de Perdição" - 1966; "As Quatro Estações" - 1981), num universo de 158 autores, nacionais e estrangeiros.

Numa primeira análise achámos pouco, mas depois de apreciarmos o livro de fio a pavio, percebemos que Romeu até tem o destaque merecido. Ou seja só há quatro autores que têm quatro peças mencionadas (Almeida Garrett, António Patrício, Bernardo Santareno e José Régio), surgindo Romeu num segundo grupo,  bem acompanhado de António José da Silva, António Pedro, Luís de Sttau Monteiro e Luis Francisco Rebelo, cada qual com a referência a três peças.

sábado, 16 de setembro de 2017

Romeu Correia na "Vértice"


Em Março de 1968 a "Vértice" - Revista de Cultura e Arte (n.º 294) - publicou as respostas de Romeu Correia ao inquérito que lhe fez sobre a "Situação do Teatro em Portugal".

Romeu nas suas dez respostas diz-nos muito sobre o  que pensava do teatro no nosso país, de uma forma geral.

Uma das respostas que achámos mais curiosas foi sobre o seu sentido prático nos palcos, a sua intervenção nas encenações (onde também historiou o seu percurso):

«Quando trabalho um texto de teatro, “experimento-o” a toda a hora sobre o palco da minha imaginação. Só assim a função é parida sem perder a medida e a força do espectáculo a que se destina. Muito cedo fui amador dramático e escrevinhador de farsas carnavalescas para as récitas das sociedades recreativas da minha terra. Sou um produto da intensa vida associativa de Almada.
Sei que o espectáculo teatral depende do trabalho de uma equipa que se quer humilde. Grupo cénico com intelectuais de ocasião a botar sentenças (e quantas vezes sem a mínima vocação para o teatro) é coisa condenada ao malogro. Quer isto dizer que, como autor de um texto, ouço todos os reparos, discuto-os – e aceito sem pestanejar as melhore sugestões. E assim continuarei.»

domingo, 10 de setembro de 2017

A Atribuição da Rua Romeu Correia


Já sabíamos a história da atribuição da Rua Romeu Correia, contada pelo seu preponente e nosso amigo Fernando Barão.

Mas ontem numa pequena conversa com o escritor e associativista de Almada, ficámos a saber mais um pormenor. Romeu Correia foi a primeira pessoa a saber desta ideia de Fernando Barão. Ainda antes deste a apresentar na reunião de Câmara, da qual era vogal da Comissão Administrativa, presidida por Silveira Júnior, Fernando confidenciou a sua vontade ao Romeu, deixando-o completamente surpreendido e fazendo-o prometer que não diria nada a ninguém.

No começo dos anos 1970 Almada abria ainda mais os seus horizontes, urbanizou e fez arruamentos nas proximidades da então Quinta da Alegria (pensamos que a melhor referência para vos indicarmos este lugar é o campo de futebol do Beira Mar de Almada...). Era preciso atribuir topónimos e Fernando Barão, como figura ligada à cultura Almadense apresentou três propostas: Romeu Correia, o grande dramaturgo português nessa época - a par de Bernardo Santareno; João Luís da Cruz, grande conhecedor e defensor da cultura e história almadense; "Jornal de Almada", o único semanário existente na época, pelo seu excelente trabalho em prole do concelho e dos habitantes de Almada (foram também atribuídas duas pracetas a Columbano Bordalo Pinheiro e ao esgrimista Jorge Paiva, ambos naturais do Concelho).

A proposta foi de tal maneira apresentada pelo Fernando Barão, que foi aprovada por todos, sem quaisquer argumentos para contrariar a sua tese, que valorizou o papel do Romeu como escritor e dramaturgo como grande figura da cultura nacional, talvez a única nesse tempo, acrescentamos nós.

Romeu ficou um pouco indeciso, mas muito satisfeito com esta homenagem, até por saber que era uma raridade alguém no nosso país ver-lhe atribuída uma artéria em vida. E ainda por cima toda a gente sabia do passado democrático de Romeu Correia, desde os anos 1940, em que fez parte da Comissão da Freguesia de Almada do MUD, e principalmente da sua obra literária, onde nunca calou a exploração e a repressão de que eram vítimas os trabalhadores das várias indústrias do Concelho.

Romeu falou com vários amigos, oposicionistas e figuras da cultura almadense, que o aconselharam a aceitar esta atribuição, pois seria também uma homenagem  prestada ao povo de Almada.

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

"Rio de Contos" com Romeu Correia


«Nos dias 8, 9 e 10 de Setembro a Divisão de Arquivo e Bibliotecas, dinamiza o 3º Encontro de Narração Oral de Almada, Rio de Contos, o qual ocorrerá nas freguesias de Almada e Pragal.

O programa do 3º Encontro de Narração Oral de Almada, Rio de Contos,  pretende também contribuir para assinalar o 100º aniversário de nascimento de Romeu Correia e também o 20º aniversário do Fórum Municipal que tem o seu nome, concentrando as atividades neste equipamento e na sua envolvente.



As histórias vão sair da biblioteca e vão até ao Restaurante Forno de Cima para ouvir e contar histórias vividas com Romeu Correia e no dia 9 vão espalhar-se pelo parque num piquenique de histórias, continuando no domingo dia 10  na Biblioteca.»

(Notícia difundida pela Biblioteca Municipal de Almada)

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Romeu Correia Homenageado na Festa do Avante


Romeu Correia embora nunca fosse militante, sempre foi próximo do PCP, inclusive antes da Revolução de Abril.

É por essa razão que achamos muito bem que Romeu tenha sido homenageado durante a Festa do Avante, no palco do Avanteatro, com a reposição das peças, "Bonecos de Luz", da Companhia de Teatro de Almada (na sexta-feira, dia 1 de Setembro, às 20.30 horas) e "Cravo Espanhol", do Teatro de Terra (no sábado, dia 2 de Setembro, às 21 horas).

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

De Novo "Um Homem Chamado Romeu Correia"...


Escolhemos o primeiro dia de Setembro para voltarmos a visitar a exposição, "Um Homem Chamado Romeu Correia" (foi a terceira vez...), por um acaso calculado (estarmos a pouco mais de 100 metros do Museu da Cidade antes das três da tarde...).

O motivo? Reencontrar o Romeu e tentar descobrir pequenos nadas que nos estivessem escapado nas duas primeiras visitas.

Por um lado foi possível apreciar com mais cuidado a excelência de todo o trabalho criativo de José Manuel Castanheira. Por outro, pudemos questionar em silêncio, o porquê da escolha de alguns materiais, em detrimento de outros, algo que acontece em todas as exposições que são sobretudo biográficas...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

O Desaparecido "Trapo Azul"...


A vida está cheia de acontecimentos estranhos, que normalmente escapam ao nosso entendimento. 

Um ano antes da comemoração do Centenário do Romeu Correia, o proprietário do restaurante, que tinha o nome de um dos seus livros, o "Trapo Azul", que ficava na rua Capitão Leitão, mesmo em frente do cinema da Academia Almadense, faleceu de repente, e esta simpática casa de pasto fechou...

Entretanto abriu uma nova casa, com um novo nome, e que também serve comidas.

Na verdade teria sido bonito, neste ano do centenário do Romeu, o "Trapo Azul" estar aberto e ser espaço de tertúlias sobre o grande escritor de Almada...

Havia um pequeno quadro pendurado no restaurante que identificava o "Trapo Azul", escrito por Orlando Laranjeiro, que transcrevemos:

"Trapo Azul"
  
Memória viva da história da nossa Terra

Retalhos que marcaram a vida do povo de Almada,
escritos e contados de forma insuperável, pelo
grande escritor Almadense: ROMEU CORREIA

                                            Orlando Laranjeiro

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, 26 de agosto de 2017

Alexandre Castanheira, Amigo e Biógrafo de Romeu Correia


Alexandre Castanheira faz hoje 90 anos (embora só tenha sido registado em 28 de Fevereiro de 1928) e faz todo o sentido escrever sobre ele no blogue sobre a vida e obra de Romeu Correia, especialmente hoje.

Primeiro que tudo Alexandre e Romeu foram amigos, ambos estavam  ligados às bibliotecas das duas principais Colectividades Almadenses (Incrível e Academia), quando estas apoiaram a estreia literária de Romeu, com o livro de contos, "Sábado sem Sol".

Fruto dessa amizade e admiração, Alexandre acabou por escrever o livro, "Romeu Correia, Memória Viva de Almada", publicado em 1992 pela Câmara Municipal de Almada.

Esta obra acaba por complementar uma outra biografia da autoria de Alexandre M. Flores, também editada pelo Município de Almada, em 1987, "Romeu Correia, o Homem e o Escritor".

Neste livro - que aconselhamos vivamente a todos os apaixonados pela obra de Romeu - Alexandre Castanheira, além de contar a vida de Romeu, liga-o a Almada, às pessoas e aos lugares, utilizando várias transcrições dos seus livros, numa bela viagem literária. 

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

"Todos os Braços Úteis"


Estas são as palavras de J. O., sobre a fotografia de Romeu Correia, da autoria de Fernando Lemos (datada entre 1949 e 1952), que esteve em exposição no Museu Berardo, no Centro Cultural de Belém, intitulada, "Todos os Braços Úteis":


«Esta atenção aos braços e mãos de Romeu Correia poderia ter a ver com o facto de ter praticado boxe amador nos anos quarenta, chegando a campeão nacional nesta modalidade. No entanto, outras leituras podem ser feitas a partir do facto de ter sido a sua vontade e esforço de autodidacta que lhe permitiram ultrapassar uma instrução básica para tornar-se um escritor e dramaturgo, reflectindo sempre as preocupações do neo-realismo.

Este movimento, que pictoricamente muitas vezes evidenciava as mãos e os braços dos camponeses e operários como a sua força e ferramenta de sustento, tinha obviamente preocupações sociais, que Romeu Correia partilhava. Estas reflectiram-se logo no seu primeiro livro de contos, Sábado Sem Sol (1947), que a PIDE tentou apreender.


A sua generosidade e vontade de dinamização levaram-no a dedicar-se de igual modo às colectividades de Almada, cidade onde nasceu e viveu, nomeadamente na expansão das suas bibliotecas e na organização de palestras (Incrível Almadense e Academia Almadense). Hoje tem o seu nome inscrito no Fórum Municipal desta cidade e numa Escola Secundária do Concelho.»

terça-feira, 15 de agosto de 2017

O Imaginário de Romeu Correia e a Feira do 15 de Agosto...


A Feira do 15 de Agosto das Caldas da Rainha continua a fazer-se, mas há muito que não é o acontecimento de outros tempos (a magia que acompanhou a nossa infância, fugiu...). Com as devidas distâncias é aquilo que conhecemos mais próximo do imaginário teatral e ficcional do Romeu, presente a espaços em livros como a "Roberta", "Bonecos de Luz" ou "O Vagabundo das Mãos de Oiro".

Claro que o Portugal da nossa infância (anos setenta...) é muito diferente do de Romeu dos anos vinte e trinta. Nessa altura, por sermos menino de cidade nem faziamos ideia que havia "cinema ambulante", que foi uma das primeiras coisas a maravilharem o grande dramaturgo e escritor almadense...

Mas havia o circo (sempre gostámos de palhaços...), os carroceis, o "poço da morte", que na época era uma das maiores aventuras que se podiam ver e que a mãe nos ia proibindo de ver. Mas houve um ano que assistimos mesmo aqueles malabaristas que com motas especiais, conseguiam andar de pernas para o ar e conduzir de olhos vendados...

Claro que falar desta "magia" aos nossos filhos, faz com que nos olhem de lado e pensem em coisas parecidas com a "pobreza franciscana"...

(Fotografia de Luís Eme - cartaz da exposição "Um Homem Chamado Romeu Correia")

domingo, 6 de agosto de 2017

Romeu e o Laço...


Uma das imagens de marca de Romeu Correia foi o uso do laço, durante uma boa parte da sua vida.

Para muito boa gente que apenas o conhecia de vista, este era mais um dos exemplos da sua vaidade, ou seja, uma forma de se distinguir como homem de letras do comum dos cidadãos.

Recentemente, numa conversa com o seu amigo Alberto Pereira Ramos, este confidenciou-me que o uso do laço foi sobretudo uma forma de resistência do Romeu contra o uso obrigatório da gravata, fato e casaco, na sua profissão de bancário.

(Nesta fotografia Romeu aparece de braço dado com Eunice Munoz e Maria Lalande, que foram as protagonistas da sua peça de teatro, "Jangada", que visita o Ginjal e foi estreada no teatro Vilaret...)

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Cinema de Abril na Incrível com Romeu e Almerinda


Agosto é um mês propício à leveza. É por isso que iremos durante este mês deixar aqui pequenas curiosidades, que de alguma forma demonstram quem foi de facto, o homem que ficou conhecido como Romeu Correia.

Como falámos de cinema e da Incrível na última publicação do blogue, vamos continuar nesta sala de cinema histórica, para vos contarmos um episódio que nos foi transmitido por Francisco Gonçalves, um dos grandes actores amadores de Almada e também um grande Incrível.

Logo após o 25 de Abril, a liberdade fez-se notar de mil e uma maneiras. Nas salas de cinema foi dado relevo às exibição de filmes eróticos, e até pornográficos, proibidos durante a ditadura, que despertaram muita curiosidade, mas também algum pudor.

Foi para combater esses "tabus" sociais, que Romeu Correia e a esposa, Almerinda, fizeram questão de marcar presença numa das primeiras exibições de filmes para adultos no Cine-Incrível. Ou seja, apareceram em nome da Liberdade e nunca da libertinagem. 

Foi exactamente com esse sentido cívico - de alguém que tinha bastante peso socialmente em Almada, como escritor e dramaturgo -, que o Francisco nos contou esse episódio, acrescentando que esta atitude do casal fez com que aumentasse ainda mais a consideração e estima que tinha pelo Romeu e pela Almerinda Correia.

(Fotografia do Arquivo da Incrível Almadense)

segunda-feira, 31 de julho de 2017

O Cine-Incrível...


Embora este poema seja dedicado à memória do Cine-Incrível", Romeu Correia acaba por surgir, quase como personagem secundária, porque uma das nossas conversas foi sobre uma das últimas fitas exibidas nesta sala história de Almada, e que aparece por isso no poema...


O Cine Incrível
  
A solidão e o silêncio enchem a sala vazia,
Há tanto tempo sem contar histórias…
A sujidade e o abandono apagaram a magia
Que ainda permanece nas nossas memórias

Foram quase setenta anos de exibições!
Tantos actores e actrizes inesquecíveis
Que fizeram bater forte tantos corações
Nas “matinées” e “soirées” Incríveis…

Sem medo das teias de aranha e do pó
Sentei-me numa das cadeiras do balcão
E fiquei por ali, à espera, completamente só
Que surgisse no “lençol” qualquer exibição.

Não se fez luz mas surgiu-me uma história
Com um escritor almadense, que escreveu
Peças, contos e romances de boa memória,
Era sobre “A Lista Negra” e com o Romeu.

E se ele me falou de filmes inesquecíveis
Coloridos com mil e uma recordações
Que alimentaram tantos sonhos incríveis.
Pois foram quase setenta anos de ilusões!

Luís [Alves] Milheiro

(Fotografia de Luís Eme)


sábado, 22 de julho de 2017

"Poeta Precisa-se" de Romeu Correia


Publicamos mais um poema da autoria de Romeu Correia do álbum, "Luisa Basto Canta Romeu Correia":


Poeta  Precisa-se

Preciso de um um poeta!
É urgente um poeta para esta minha voz.
Eu apelo a um poeta
Que diga não à fome
à guerra,
à exploração dos pobres e das crianças.
Um poeta para a minha voz abrir caminho
à felicidade dos homens!
à felicidade dos homens!
Tantos poetas no meu país !
O meu país é um país de poetas.
Mas tu meu irmão , onde estás?
Mas tu meu irmão onde estás?
É urgente um poeta!
Não um qualquer poeta,
um que me traga a palavra viva, necessária
para este meu canto!
Um poeta para a minha voz abrir caminho

à felicidade dos homens! 

Romeu Correia

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Os "Bonecos de Luz" de Fernando Barão


Em 1978 Fernando Barão publicou o poema "Bonecos de Luz" no jornal "Praia do Sol", dirigido por António Correia, homenageando Romeu Correia, que neste ano recebeu a Medalha de Ouro da Cidade de Almada.


Bonecos de Luz
  
Continuam a ser de luz
Os teus bonecos
Mas de luz escarlate,
Porque o sangue
Palpita nas suas entranhas,
Disseste sempre, não,
Aos bonecos de serradura:
E esses, estavam
Vazios de cor.
Não falavam
Não gesticulavam
Não levantavam
Os olhos
Nem os punhos.
Nos teus bonecos, Romeu,
Existe vida.
Há inspiração,
Há uma felicidade
Conjunta…
Nos teus bonecos, Romeu,
Há esperança
A esperança da nova luz,
Da luz,
Que há-de inundar
Um dia
A Humanidade.

Fernando Barão


domingo, 9 de julho de 2017

O "Regresso ao Ginjal" de Romeu...


No ano em que Romeu faria 90 anos (2007), escrevemos este poema:


Regresso ao Ginjal
  
Mesmo com o Sábado Sem Sol,
Não escondeu a emoção,
No regresso ao Cais do Ginjal...

Saiu do Alfa-Romeo
E deu Um Passo em Frente,
Com as mãos escondidas
No Casaco de Fogo.

Assim que espreitou o Ginjal
Recordou quase tudo,
De uma infância livre e feliz:
Dos primeiros jogos do Desporto-Rei,
Dos passeios de Jangada pelo rio,
Dos espectáculos de Bonecos de Luz,
Das oficinas dos Tanoeiros,
E claro, dos primeiros amores...
Sim, lembrou-se da Roberta,
Mas principalmente da Laurinda,
O seu Amor de Perdição,
A quem chamava: «O Céu da Minha Rua».

Mas também se lembrou de outras
Personagens inesquecíveis.
Era impossível esquecer
O José Bento Pessoa,
Fadista do Trapo Azul
E contador de histórias do Bocage
Ou o Jorge Vieira, conhecido
Como o Vagabundo das Mãos de Ouro,
Por transformar qualquer objecto perdido,
Numa obra de arte.

Os olhos estavam mais brilhantes
Que nunca, neste regresso a casa,
Cansado da sua vida de
Andarilho das Sete Partidas...

                                                    Luís [Alves] Milheiro


Viajámos por alguns títulos e lugares, e nem faltou um "Alfa-Romeo"...

(Fotografia de autor desconhecido)