terça-feira, 15 de agosto de 2017

O Imaginário de Romeu Correia e a Feira do 15 de Agosto...


A Feira do 15 de Agosto das Caldas da Rainha continua a fazer-se, mas há muito que não é o acontecimento de outros tempos (a magia que acompanhou a nossa infância, fugiu...). Com as devidas distâncias é aquilo que conhecemos mais próximo do imaginário teatral e ficcional do Romeu, presente a espaços em livros como a "Roberta", "Bonecos de Luz" ou "O Vagabundo das Mãos de Oiro".

Claro que o Portugal da nossa infância (anos setenta...) é muito diferente do de Romeu dos anos vinte e trinta. Nessa altura, por sermos menino de cidade nem faziamos ideia que havia "cinema ambulante", que foi uma das primeiras coisas a maravilharem o grande dramaturgo e escritor almadense...

Mas havia o circo (sempre gostámos de palhaços...), os carroceis, o "poço da morte", que na época era uma das maiores aventuras que se podiam ver e que a mãe nos ia proibindo de ver. Mas houve um ano que assistimos mesmo aqueles malabaristas que com motas especiais, conseguiam andar de pernas para o ar e conduzir de olhos vendados...

Claro que falar desta "magia" aos nossos filhos, faz com que nos olhem de lado e pensem em coisas parecidas com a "pobreza franciscana"...

(Fotografia de Luís Eme - cartaz da exposição "Um Homem Chamado Romeu Correia")

domingo, 6 de agosto de 2017

Romeu e o Laço...


Uma das imagens de marca de Romeu Correia foi o uso do laço, durante uma boa parte da sua vida.

Para muito boa gente que apenas o conhecia de vista, este era mais um dos exemplos da sua vaidade, ou seja, uma forma de se distinguir como homem de letras do comum dos cidadãos.

Recentemente, numa conversa com o seu amigo Alberto Pereira Ramos, este confidenciou-me que o uso do laço foi sobretudo uma forma de resistência do Romeu contra o uso obrigatório da gravata, fato e casaco, na sua profissão de bancário.

(Nesta fotografia Romeu aparece de braço dado com Eunice Munoz e Maria Lalande, que foram as protagonistas da sua peça de teatro, "Jangada", que visita o Ginjal e foi estreada no teatro Vilaret...)

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Cinema de Abril na Incrível com Romeu e Almerinda


Agosto é um mês propício à leveza. É por isso que iremos durante este mês deixar aqui pequenas curiosidades, que de alguma forma demonstram quem foi de facto, o homem que ficou conhecido como Romeu Correia.

Como falámos de cinema e da Incrível na última publicação do blogue, vamos continuar nesta sala de cinema histórica, para vos contarmos um episódio que nos foi transmitido por Francisco Gonçalves, um dos grandes actores amadores de Almada e também um grande Incrível.

Logo após o 25 de Abril, a liberdade fez-se notar de mil e uma maneiras. Nas salas de cinema foi dado relevo às exibição de filmes eróticos, e até pornográficos, proibidos durante a ditadura, que despertaram muita curiosidade, mas também algum pudor.

Foi para combater esses "tabus" sociais, que Romeu Correia e a esposa, Almerinda, fizeram questão de marcar presença numa das primeiras exibições de filmes para adultos no Cine-Incrível. Ou seja, apareceram em nome da Liberdade e nunca da libertinagem. 

Foi exactamente com esse sentido cívico - de alguém que tinha bastante peso socialmente em Almada, como escritor e dramaturgo -, que o Francisco nos contou esse episódio, acrescentando que esta atitude do casal fez com que aumentasse ainda mais a consideração e estima que tinha pelo Romeu e pela Almerinda Correia.

(Fotografia do Arquivo da Incrível Almadense)

segunda-feira, 31 de julho de 2017

O Cine-Incrível...


Embora este poema seja dedicado à memória do Cine-Incrível", Romeu Correia acaba por surgir, quase como personagem secundária, porque uma das nossas conversas foi sobre uma das últimas fitas exibidas nesta sala história de Almada, e que aparece por isso no poema...


O Cine Incrível
  
A solidão e o silêncio enchem a sala vazia,
Há tanto tempo sem contar histórias…
A sujidade e o abandono apagaram a magia
Que ainda permanece nas nossas memórias

Foram quase setenta anos de exibições!
Tantos actores e actrizes inesquecíveis
Que fizeram bater forte tantos corações
Nas “matinées” e “soirées” Incríveis…

Sem medo das teias de aranha e do pó
Sentei-me numa das cadeiras do balcão
E fiquei por ali, à espera, completamente só
Que surgisse no “lençol” qualquer exibição.

Não se fez luz mas surgiu-me uma história
Com um escritor almadense, que escreveu
Peças, contos e romances de boa memória,
Era sobre “A Lista Negra” e com o Romeu.

E se ele me falou de filmes inesquecíveis
Coloridos com mil e uma recordações
Que alimentaram tantos sonhos incríveis.
Pois foram quase setenta anos de ilusões!

Luís [Alves] Milheiro

(Fotografia de Luís Eme)


sábado, 22 de julho de 2017

"Poeta Precisa-se" de Romeu Correia


Publicamos mais um poema da autoria de Romeu Correia do álbum, "Luisa Basto Canta Romeu Correia":


Poeta  Precisa-se

Preciso de um um poeta!
É urgente um poeta para esta minha voz.
Eu apelo a um poeta
Que diga não à fome
à guerra,
à exploração dos pobres e das crianças.
Um poeta para a minha voz abrir caminho
à felicidade dos homens!
à felicidade dos homens!
Tantos poetas no meu país !
O meu país é um país de poetas.
Mas tu meu irmão , onde estás?
Mas tu meu irmão onde estás?
É urgente um poeta!
Não um qualquer poeta,
um que me traga a palavra viva, necessária
para este meu canto!
Um poeta para a minha voz abrir caminho

à felicidade dos homens! 

Romeu Correia

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Os "Bonecos de Luz" de Fernando Barão


Em 1978 Fernando Barão publicou o poema "Bonecos de Luz" no jornal "Praia do Sol", dirigido por António Correia, homenageando Romeu Correia, que neste ano recebeu a Medalha de Ouro da Cidade de Almada.


Bonecos de Luz
  
Continuam a ser de luz
Os teus bonecos
Mas de luz escarlate,
Porque o sangue
Palpita nas suas entranhas,
Disseste sempre, não,
Aos bonecos de serradura:
E esses, estavam
Vazios de cor.
Não falavam
Não gesticulavam
Não levantavam
Os olhos
Nem os punhos.
Nos teus bonecos, Romeu,
Existe vida.
Há inspiração,
Há uma felicidade
Conjunta…
Nos teus bonecos, Romeu,
Há esperança
A esperança da nova luz,
Da luz,
Que há-de inundar
Um dia
A Humanidade.

Fernando Barão


domingo, 9 de julho de 2017

O "Regresso ao Ginjal" de Romeu...


No ano em que Romeu faria 90 anos (2007), escrevemos este poema:


Regresso ao Ginjal
  
Mesmo com o Sábado Sem Sol,
Não escondeu a emoção,
No regresso ao Cais do Ginjal...

Saiu do Alfa-Romeo
E deu Um Passo em Frente,
Com as mãos escondidas
No Casaco de Fogo.

Assim que espreitou o Ginjal
Recordou quase tudo,
De uma infância livre e feliz:
Dos primeiros jogos do Desporto-Rei,
Dos passeios de Jangada pelo rio,
Dos espectáculos de Bonecos de Luz,
Das oficinas dos Tanoeiros,
E claro, dos primeiros amores...
Sim, lembrou-se da Roberta,
Mas principalmente da Laurinda,
O seu Amor de Perdição,
A quem chamava: «O Céu da Minha Rua».

Mas também se lembrou de outras
Personagens inesquecíveis.
Era impossível esquecer
O José Bento Pessoa,
Fadista do Trapo Azul
E contador de histórias do Bocage
Ou o Jorge Vieira, conhecido
Como o Vagabundo das Mãos de Ouro,
Por transformar qualquer objecto perdido,
Numa obra de arte.

Os olhos estavam mais brilhantes
Que nunca, neste regresso a casa,
Cansado da sua vida de
Andarilho das Sete Partidas...

                                                    Luís [Alves] Milheiro


Viajámos por alguns títulos e lugares, e nem faltou um "Alfa-Romeo"...

(Fotografia de autor desconhecido)

quinta-feira, 6 de julho de 2017

A "Balada Ecológica" do Romeu


Como já contámos por aqui, Romeu Correia em 1987 escreveu vários poemas para o álbum " Luísa Basto Canta Romeu Correia", lançado em sua homenagem, na passagem do seu 70.º aniversário. Publicamos um que, embora não queira nada com a rima, ele fez questão de que fosse cantado (era o preferido dos netos, ainda pequenotes na época...).

Balada Ecológica

Tejo meu, rio nosso, Tejo amigo,por que corres tão sujo, poluído ?
Por que corres tão sujo, poluído ?  
Teus peixes, teus peixinhos e peixões
viviam tão felizes e comiam-se
tão fraternalmente. (bis)
Que saudades dos belos golfinhos
a bailar sobre as ondas…
Que é das ostras, camarões e lagostins?

Tejo meu, rio nosso, tejo amigo, por que corres tão sujo, poluído?
Que é das ostras, camarões e lagostins?

Tejo meu, rio nosso, tejo amigo, por que corres tão sujo, poluído?
Tejo meu, rio nosso ,Tejo amigo
que te fizeram os   homens,
alguns homens de negócios ?
Guerras  e tramoias ! Guerras e tramoias !
Ó meu Deus olhai pelos peixinhos deste mundo
e castigai os homens tubarões
glutões,  insaciáveis e perversos.

Tejo meu, rio nosso, Tejo amigo, por que corres tão sujo, poluído ?
Tejo meu, rio nosso, Tejo amigo…

Romeu Correia

Nota: Deixamos aqui um agradecimento especial à professora Edite Condeixa, que nos cedeu este poema e é (felizmente) uma das grandes activistas das comemorações do Centenário do Romeu.

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, 3 de julho de 2017

A Poesia com e de Romeu...


Neste mês quente de Julho escolhemos a Poesia, com e de Romeu Correia, para o homenagear.

E começamos por um poema descoberto hoje no blogue do Agrupamento de Escolas Romeu Correia, escrito por uma menina, Inês Carvalho, aluna do sétimo ano de escolariedade da turma A, que sintetiza de uma forma bonita a vida de Romeu...

Romeu Correia (pelo olhar da Inês…)


A 17 de novembro
Nasceu
Um rapaz chamado
Romeu

Foi desportista
Escritor
Um ficcionista
Com esplendor

No atletismo
Fez competição
E no boxe
Foi campeão

De contos e romances
Foi escritor
Mas o teatro
Era o seu grande amor

Com Almerinda
Casou
E nas corridas
A treinou

Ela correu e
Venceu
Graças ao seu
Romeu


A ilustração que escolhemos é a mesma que ilustrou este poema no blogue da Escola, com a devida vénia à autora, outra Inês, a Inês Torrão, aluno do sexto ano de escolaridade .

segunda-feira, 26 de junho de 2017

O Opúsculo da Apresentação da História da Academia


Um ano depois do lançamento da obra (1996),  Academia Almadense, Memória de 100 Anos", o texto da sua apresentação, da autoria de António Alberto C. P. Ramos e Luísa Maria Ramos, foi divulgado através de um pequeno opúsculo (que o pai dos dois apresentadores, Alberto Pereira Ramos, grande Académico e amigo do Romeu, me ofereceu...).

Este texto crítico faz uma análise à história da Academia, numa perspectiva social e até antropológica, focando sempre a importância das pessoas, das suas histórias, das suas vidas, algo sempre presente em toda a obra de Romeu Correia.

Transcrevemos um parágrafo, que nos diz muito sobre o livro (e a análise crítica efectuada):
«A Memória que agora temos presente, ultrapassa o simples biografismo, sobretudo devido ao colorido que a experiência ficcionista do autor lhe confere. Mas não só. Socorre-se da permanente inclusão das vidas e acontecimentos, nos contextos almadenses, nacionais e internacionais, remontando-os em cadeias de casualidade, à expressão dialéctica do patente e do oculto.»

Alberto Pereira Ramos também nos explicou o porque da escolha dos seus dois filhos, que além de serem professores, eram amigos e conhecedores da obra de Romeu. 
Foi a forma de evitar algum possível mal entendido entre os dois Alexandres, Castanheira e Flores (os principais candidatos a "apresentadores" do livro...), ambos seus amigos, biógrafos e conhecedores profundos do homem e do escritor...

sábado, 24 de junho de 2017

Academia Almadense - Memória de 100 Anos


 "Academia Almadense - Memória de 100 Anos", foi uma das últimas obras de Romeu Correia publicadas pelo autor almadense. 

Tratou-se de uma "encomenda" da sua Academia, que achou que o Romeu era a pessoa mais indicada para escrever o livro que contasse a história dos primeiros 100 anos da Colectividade de Almada.

Não foi um trabalho fácil. Lembramo-nos de Romeu nos relatar as dificuldades que estava a sentir, por ter "muito material para um livro só". Mas felizmente levou esta tarefa a bom porto e esta obra honra a história da Academia Almadense e da própria cidade de Almada, focando os aspectos mais importantes de um dos principais baluartes do Associativismo Almadense.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Passado e Presente do Movimento Associativo


"Passado e presente do Movimento Associativo - breve reflexão sobre a sua existência antes e depois de Abril", é um pequeno ensaio de Romeu Correia, que a C.M. Almada decidiu publicar num pequeno opúsculo (tinha sido publicado inicialmente na revista "Vértice", no número especial sobre a comemoração do 10.º aniversário do 25 de Abril de 1974).

Nesta pequena obra Romeu tenta fazer o retrato do movimento associativo, do século XIX até aos anos oitenta do século XX.

Um dos aspectos que o escritor almadense releva depois de Abril é a participação da Mulher neste mesmo associativismo, que transcrevemos com todo o gosto: 
«Os anos passaram e nas vizinhanças do 25 de Abril de 1974 algo se modificou no panorama associativo. Havia como que um pressentimento da Libertação. E talvez a nota mais curiosa tivesse partido do naipe feminino, que a pouco e pouco começou a evidenciar-se e a participar activamente no movimento associativo. A música e o desporto foram as modalidades em que a sua presença se fez mais notada. Voltando costas a velhos preconceitos, aprendem solfejo, fardam-se e alinham com os rapazes, marchando com eles lado a lado. Hoje as filarmónicas de norte a sul de Portugal contam com grande número de mulheres. Uma inovação que trinta anos antes nenhum de nós poderia profetizar.»

terça-feira, 20 de junho de 2017

Romeu Correia e a História de Almada


"Homens e Mulheres Vinculados às Terras de Almada (nas Artes, nas Letras e nas Ciências)", da autoria de Romeu Correia, continua a ser uma obra de referência para todos os estudiosos da História do Concelho de Almada.

Editada em 1978 pelo Município de Almada é uma das obras biográficas mais completas sobre os grandes almadenses, que se destacaram nas Artes, nas Letras e nas Ciências ao longo da história (tem biografias desde o século XVI até ao século XX).

Romeu Correia durante toda a sua vida foi recolhendo elementos sobre Almada, que acabariam por ser muito úteis para a realização deste livro ímpar. Contou também com o apoio de vários documentos e apontamentos que herdara do seu tio, José Carlos de Melo, grande associativista publicista e apaixonado pela história de Almada.

Embora muito boa gente ache que Romeu não foi apenas um escritor de Almada, mas sim do País e até do Mundo, ele nunca se cansou de dizer que só escrevia sobre o que conhecia... E é também por isso que encontramos vestígios dos lugares da sua meninice em tantas obras, sejam elas de ficção ou de teatro.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Romeu entre o "Desconforto" da Poesia e o Desafio do Disco...


Romeu Correia a espaços era um "poeta da prosa", mas isso acontecia naturalmente.

O que foi menos natural foi o desafio que lhes colocaram João Fernando e Luísa Basto, para que ele escrevesse poemas para um álbum de canções, cantados pela Luísa e com música do João.

Começou por dizer que não (a Luísa e o João contaram o episódio na apresentação do boletim "Almada na História"...), que não era poeta, que não sabia escrever poemas, etc. Mas com mais insistências e com o apoio de terceiras pessoas, lá se conseguiu que o Romeu escrevesse uma dúzia de poemas, num processo que teve tanto de delicado como de doloroso.

E o disco, "Luisa Basto canta Romeu Correia", acabou por ser editado (felizmente...) durante as comemorações do 70.º aniversário do Romeu, com um bonito espectáculo de apresentação na Academia Almadense.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Romeu Correia Homenageado em Almada no Dia Internacional dos Arquivos


Romeu Correia foi homenageado ao fim da tarde pelo Arquivo Histórico de Almada, com a apresentação do número 30 do boletim de fontes documentais, "Almada na História", editado pelo Município de Almada, que foi o fechar com "chave de ouro", as comemorações do Dia Internacional dos Arquivos em Almada.

Há vários artigos importantes neste boletim /revista, como o "Processo de Censura da peça de teatro Bocage", de 1965; a "Deliberação da atribuição do nome de Romeu Correia a uma rua de Almada", 1970; além de duas entrevistas importantes dadas ao "Jornal de Letras", em 1962 ou à revista "Flama", em 1972. 

A capa do boletim é ilustrada pela capa do disco histórico "Luísa Basto canta Romeu Correia", editado pela CM Almada em 1987 e a redacção de Carlos Roupa e Paulo Reis.

Depois das primeiras palavras de Armando Correia, responsável municipal pelas bibliotecas e arquivos de Almada, foram convidados a sentarem-se no espaço central da sala Luísa Basto, João Fernando, Alexandre M. Flores, Julieta Correia, Vasco Branco, para falarem do boletim e de Romeu Correia, numa conversa informal moderada por Eunice Figueiredo e Otília Rosado, a responsável e a coordenadora do Arquivo Histórico de Almada.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Cultura e Desporto: O Desporto e as Letras


Após a Revolução de Abril a Direcção Geral dos Desportos apostou na massificação do desporto no nosso país, seguindo em parte os modelos das grandes potências europeias da época, as denominadas "Repúblicas Socialistas", da RDA à URSS.

Também se apostou na informação e comunicação. Uma das colecções memoráveis desses tempos foram os pequenos livrinhos da "Cultura e Desporto", que no seu número 23, "O Desporto e as Letras", como o título indica, publicou textos sobre desporto da autoria de escritores portugueses. 

O nosso Romeu Correia foi um dos oito autores escolhidos (os outros foram: Urbano Tavares Rodrigues; Ruben A.; Ruy Belo; Luís de Sttau Monteiro; Manuel da Fonseca; Artur Portela Filho, Baptista-Bastos e Antunes da Silva), que publicou três pequenos textos. No primeiro conta a sua história e dos atletas do seu tempo. No segundo conta o episódio real, da corrida entre Francisco Bastos - ao tempo o melhor meio fundista português (recordista nacional dos 400 aos 2000 metros) e o cavalo do Raul "Leiteiro", ganha pelo excelente atleta almadense. No terceiro conta um dos muitos episódios ocorridos durante os treinos dele e da esposa, Almerinda Correia, também ela campeã de atletismo.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Romeu Correia: Biógrafo de Grandes Desportistas


Felizmente a paixão de Romeu Correia pelo desporto nunca foi ofuscada pelas letras. 

O seu passado como atleta e treinador até poderá ter sido importante para que ele escrevesse o primeiro romance que se conhece sobre futebol no nosso país ("Desporto-Rei", em 1955). E antes já escrevera a pequena peça de apenas um acto com o mesmo título (que continua inédita..), que foi representada várias vezes, em tempos e circunstâncias diferentes.

Além de ter escrito dezenas de crónicas sobre grandes figuras do desporto, nas páginas do "Record" (final dos anos 1980) e posteriormente no "Jornal de Almada" (primeira metade dos anos 1990), foi o autor de três biografias sobre três grandes desportistas: "Francisco Stromp" (1973); "José Bento Pessoa" (1974);  "Jorge Vieira e o Futebol do Seu Tempo" (1981).

E em 1988 escreveu ainda o livro, "Portugueses na V Olimpíada", onde relata as aventuras da participação portuguesa nos Jogos de Estocolmo em 1912, com realce para a morte dramática de Francisco Lázaro, ocorrida durante a corrida da maratona...

sábado, 27 de maio de 2017

A Palestra do Romeu, das Bibliotecas e da Cultura


Vamos abrir uma excepção aqui no blogue, oferecendo-lhe um cunho mais pessoal, pelo facto de termos sido o convidado para falar no Centro de Documentação  de Instituições Religiosas e da Família, que se situa anexado à bonita capela de S. João da Ramalha, sobre "Romeu Correia, as Bibliotecas Populares e a Cultura em Almada", transcrevendo a notícia que publicámos no nosso blogue, "Casario do Ginjal".

«Ontem acabei por ter uma bela surpresa, no Centro de Documentação das Instituições Religiosas e da Família, por ver na assistência muitas pessoas que não conhecia, para além dos amigos, claro, que não nos deixam "desamparados" nestes momentos.
E nem vou falar de uma Amiga que veio de mais longe, e por ser de fora, andou perdida por Almada, encontrando a Capela da Ramalha, já próximo do fim. As surpresas, mesmo as boas, nem sempre correm da melhor maneira...
Apesar de ter cinco folhas com palavras, funcionaram mais como auxiliares, pois acabei por falar quase de improviso, prolongando até um pouco a palestra. Isso aconteceu pelo entusiasmo que fui sentindo, ao falar sobretudo do Romeu Correia (fiquei com a sensação de que falei mais dele e da sua obra que das Bibliotecas e da Cultura Almadense...), e também por descobrir interesse nos olhares da plateia...
Houve também algumas intervenções da plateia, que acabaram por enriquecer a sessão.
Um dos aspectos mais importantes que retive, foi ter conseguido despertar a curiosidade e o interesse pela obra teatral do Romeu, que penso ser a mais desconhecida da maior parte das pessoas.»

(Fotografia de Diamantino Lourenço)

domingo, 21 de maio de 2017

Romeu Correia no "Banco dos Réus"


Na tarde de ontem Orlando Laranjeiro reviveu com todos os amigos que apareceram na sede da SCALA, o espectáculo, "Almada Antes e Depois de Abril", realizado em 1983 e 1984, que continua a ser um marco ímpar na história do associativismo almadense, graças à participação activa das três principais colectividades almadenses (Incrível, SFUP e Academia) e de tantos homens e mulheres de Almada, que aceitaram o desafio do Orlando, que idealizou e encenou esta Festa do Movimento Associativo.

Neste espectáculo reviveram-se alguns dos números de teatro e revista mais marcantes que visitaram os palcos das "Três Irmãs" ao longo do século XX, homenagearam-se autarcas de Abril, resistentes antifascistas almadenses, associativistas e também as figuras mais emblemáticas da cidade, como foi, o caso do Romeu Correia, que se sentou no "Banco dos Réus" e foi inquirido por um juiz e por dois advogados (de defesa e de acusação), sobre os momentos mais marcantes da sua vida.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

"O Rapaz Marinho"


O Museu da Cidade organiza durante esta semana uma História com Oficina com "O Rapaz Marinho", adaptada do romance autobiográfico de Romeu Correia, "O Tritão", que conta o encontro entre o velho marujo sabichão dos sete mares e um rapaz muito especial que vivia nas águas do Tejo.

É uma iniciativa vocacionada para as crianças das escolas do pré-escolar e do 1º ciclo e tem marcação prévia (16, 17 e 19 de Maio). 

sábado, 13 de maio de 2017

A Bela "Roberta"


Acabámos de ler , "Roberta".

As primeiras impressões foram as de que estávamos a ler um grande espectáculo teatral, mais uma vez com a feira, com os fantoches e com a nossa própria história... Muito fascínio com as palavras do Romeu.

A meio, sentimos que há alguma perca de ritmo (normal nos romances e nas peças...).

Mas encontramos tantas pontas soltas, que qualquer amante de teatro de um grupo amador ou profissional poderia pegar.
Apeteceu-nos mesmo convidar alguns encenadores a lerem este livro e a sentirem o bom material que tinham ali para levar aos palcos, os bonecos da capa, o Marquês de Pombal e o Santo António, mas também a gente de carne e osso, que dá vida a este e a outros bonecos.

Uma bela surpresa, sem dúvida (devemos confessar que o teatro é a escrita que menos conhecemos do Romeu - antes da "Roberta", apenas tínhamos lido: "O Vagabundo das Mãos de Oiro", "Cravo Espanhol" e  "O Andarilho das Sete Partidas").

terça-feira, 9 de maio de 2017

Um Feliz "Cravo Espanhol"


Tinha prometido falar do "Cravo Espanhol", apresentado no passado sábado no Auditório Lopes Graça do Fórum Romeu Correia, pelo grupo de teatro "Teatro da Terra". 

E vou começar pelo fim: sai muito satisfeito da sala de Almada, que foi de teatro, mas de teatro do bom, daquele que consegue comunicar com o público e passar-lhe as emoções.

Há muitas coisas que contribuíram para isso. A primeira é o excelente texto de Romeu Correia, que como se viu, está longe de ter parado no tempo. Oferece-nos o retrato de um divertimento que fez história em Almada, pelo carnaval: as célebres e inesquecíveis cégadas. A segunda a boa encenação de Maria João Luís, que agarrou no essencial do dramaturgo almadense. E a terceira, é a presença dos actores em palco, que viveram a espaços, aquilo que se pode chamar, de "uma grande cégada", para satisfação do público que esgotou a sala.

Pois é, afinal parece que as peças do Romeu, estão longe de estarem "desactualizadas", não se perderam no tempo (prometemos continuar a falar do teatro do Romeu este mês...)...

sábado, 6 de maio de 2017

O Cravo Espanhol e a Academia


Temos andado mesmo distraídos...
Só hoje é que soubemos que o "Teatro da Terra", de Ponte de Sor, vai apresentar no Auditório Lopes Graça "O Cravo Espanhol, do Romeu Correia, daqui a menos de uma hora...
Felizmente ainda conseguimos bilhetes.
Depois contamos como foi...

Sei que hoje à tarde a Academia Almadense também organizou um espectáculo de homenagem ao Romeu, mas não sabemos mais pormenores. Se soubermos, depois contamos...