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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

"Romeu Correia Talvez Poeta" na Mostra


Quando escrevemos sobre a 21.ª Mostra de Teatro de Almada, prometemos voltar a falar da única peça do certame que homenageia o melhor dramaturgo almadense de sempre e um dos melhores nacionais do século XX.

Referimo-nos à peça musical, "Romeu Correia Talvez Poeta", que será quase uma revisitação às canções do disco "Luisa Basto Canta Romeu Correia", de novo com a voz Luísa Basto e também de João Fernando e José Carlos Tavares, e ainda com a participação do Grupo de Teatro da Associação Cultural Manuel da Fonseca e de Gil Marovas, com guião de Ferrer Asturiano.

Há ainda outro atractivo, a utilização das vozes de Romeu Correia e de Vasco Branco (voz off), em alguns dos poemas utilizados nesta homenagem ao grande escritor de Almada.

Outra singularidade não menos importante, é esta peça nascer no seio do Associativismo Cultural Almadense, da qual Romeu sempre se sentiu um dos seus filhos pródigos.

A peça é exibida amanhã, às 21.30 horas no Auditório da Academia Almadense.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

O Desaparecido "Trapo Azul"...


A vida está cheia de acontecimentos estranhos, que normalmente escapam ao nosso entendimento. 

Um ano antes da comemoração do Centenário do Romeu Correia, o proprietário do restaurante, que tinha o nome de um dos seus livros, o "Trapo Azul", que ficava na rua Capitão Leitão, mesmo em frente do cinema da Academia Almadense, faleceu de repente, e esta simpática casa de pasto fechou...

Entretanto abriu uma nova casa, com um novo nome, e que também serve comidas.

Na verdade teria sido bonito, neste ano do centenário do Romeu, o "Trapo Azul" estar aberto e ser espaço de tertúlias sobre o grande escritor de Almada...

Havia um pequeno quadro pendurado no restaurante que identificava o "Trapo Azul", escrito por Orlando Laranjeiro, que transcrevemos:

"Trapo Azul"
  
Memória viva da história da nossa Terra

Retalhos que marcaram a vida do povo de Almada,
escritos e contados de forma insuperável, pelo
grande escritor Almadense: ROMEU CORREIA

                                            Orlando Laranjeiro

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, 26 de agosto de 2017

Alexandre Castanheira, Amigo e Biógrafo de Romeu Correia


Alexandre Castanheira faz hoje 90 anos (embora só tenha sido registado em 28 de Fevereiro de 1928) e faz todo o sentido escrever sobre ele no blogue sobre a vida e obra de Romeu Correia, especialmente hoje.

Primeiro que tudo Alexandre e Romeu foram amigos, ambos estavam  ligados às bibliotecas das duas principais Colectividades Almadenses (Incrível e Academia), quando estas apoiaram a estreia literária de Romeu, com o livro de contos, "Sábado sem Sol".

Fruto dessa amizade e admiração, Alexandre acabou por escrever o livro, "Romeu Correia, Memória Viva de Almada", publicado em 1992 pela Câmara Municipal de Almada.

Esta obra acaba por complementar uma outra biografia da autoria de Alexandre M. Flores, também editada pelo Município de Almada, em 1987, "Romeu Correia, o Homem e o Escritor".

Neste livro - que aconselhamos vivamente a todos os apaixonados pela obra de Romeu - Alexandre Castanheira, além de contar a vida de Romeu, liga-o a Almada, às pessoas e aos lugares, utilizando várias transcrições dos seus livros, numa bela viagem literária. 

segunda-feira, 26 de junho de 2017

O Opúsculo da Apresentação da História da Academia


Um ano depois do lançamento da obra (1996),  Academia Almadense, Memória de 100 Anos", o texto da sua apresentação, da autoria de António Alberto C. P. Ramos e Luísa Maria Ramos, foi divulgado através de um pequeno opúsculo (que o pai dos dois apresentadores, Alberto Pereira Ramos, grande Académico e amigo do Romeu, me ofereceu...).

Este texto crítico faz uma análise à história da Academia, numa perspectiva social e até antropológica, focando sempre a importância das pessoas, das suas histórias, das suas vidas, algo sempre presente em toda a obra de Romeu Correia.

Transcrevemos um parágrafo, que nos diz muito sobre o livro (e a análise crítica efectuada):
«A Memória que agora temos presente, ultrapassa o simples biografismo, sobretudo devido ao colorido que a experiência ficcionista do autor lhe confere. Mas não só. Socorre-se da permanente inclusão das vidas e acontecimentos, nos contextos almadenses, nacionais e internacionais, remontando-os em cadeias de casualidade, à expressão dialéctica do patente e do oculto.»

Alberto Pereira Ramos também nos explicou o porque da escolha dos seus dois filhos, que além de serem professores, eram amigos e conhecedores da obra de Romeu. 
Foi a forma de evitar algum possível mal entendido entre os dois Alexandres, Castanheira e Flores (os principais candidatos a "apresentadores" do livro...), ambos seus amigos, biógrafos e conhecedores profundos do homem e do escritor...

sábado, 24 de junho de 2017

Academia Almadense - Memória de 100 Anos


 "Academia Almadense - Memória de 100 Anos", foi uma das últimas obras de Romeu Correia publicadas pelo autor almadense. 

Tratou-se de uma "encomenda" da sua Academia, que achou que o Romeu era a pessoa mais indicada para escrever o livro que contasse a história dos primeiros 100 anos da Colectividade de Almada.

Não foi um trabalho fácil. Lembramo-nos de Romeu nos relatar as dificuldades que estava a sentir, por ter "muito material para um livro só". Mas felizmente levou esta tarefa a bom porto e esta obra honra a história da Academia Almadense e da própria cidade de Almada, focando os aspectos mais importantes de um dos principais baluartes do Associativismo Almadense.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Romeu entre o "Desconforto" da Poesia e o Desafio do Disco...


Romeu Correia a espaços era um "poeta da prosa", mas isso acontecia naturalmente.

O que foi menos natural foi o desafio que lhes colocaram João Fernando e Luísa Basto, para que ele escrevesse poemas para um álbum de canções, cantados pela Luísa e com música do João.

Começou por dizer que não (a Luísa e o João contaram o episódio na apresentação do boletim "Almada na História"...), que não era poeta, que não sabia escrever poemas, etc. Mas com mais insistências e com o apoio de terceiras pessoas, lá se conseguiu que o Romeu escrevesse uma dúzia de poemas, num processo que teve tanto de delicado como de doloroso.

E o disco, "Luisa Basto canta Romeu Correia", acabou por ser editado (felizmente...) durante as comemorações do 70.º aniversário do Romeu, com um bonito espectáculo de apresentação na Academia Almadense.

domingo, 21 de maio de 2017

Romeu Correia no "Banco dos Réus"


Na tarde de ontem Orlando Laranjeiro reviveu com todos os amigos que apareceram na sede da SCALA, o espectáculo, "Almada Antes e Depois de Abril", realizado em 1983 e 1984, que continua a ser um marco ímpar na história do associativismo almadense, graças à participação activa das três principais colectividades almadenses (Incrível, SFUP e Academia) e de tantos homens e mulheres de Almada, que aceitaram o desafio do Orlando, que idealizou e encenou esta Festa do Movimento Associativo.

Neste espectáculo reviveram-se alguns dos números de teatro e revista mais marcantes que visitaram os palcos das "Três Irmãs" ao longo do século XX, homenagearam-se autarcas de Abril, resistentes antifascistas almadenses, associativistas e também as figuras mais emblemáticas da cidade, como foi, o caso do Romeu Correia, que se sentou no "Banco dos Réus" e foi inquirido por um juiz e por dois advogados (de defesa e de acusação), sobre os momentos mais marcantes da sua vida.

sábado, 6 de maio de 2017

O Cravo Espanhol e a Academia


Temos andado mesmo distraídos...
Só hoje é que soubemos que o "Teatro da Terra", de Ponte de Sor, vai apresentar no Auditório Lopes Graça "O Cravo Espanhol, do Romeu Correia, daqui a menos de uma hora...
Felizmente ainda conseguimos bilhetes.
Depois contamos como foi...

Sei que hoje à tarde a Academia Almadense também organizou um espectáculo de homenagem ao Romeu, mas não sabemos mais pormenores. Se soubermos, depois contamos...

quarta-feira, 15 de março de 2017

A Boa Publicidade da Censura ao "Sábado sem Sol"


Apesar do susto que Romeu Correia apanhou, a apreensão do livro de contos, "Sábado sem Sol", acabou por ser a melhor publicidade que se poderia fazer a uma primeira obra.

A sua proibição levantou uma grande curiosidade nos leitores (tanto nos oposicionistas como nos almadenses...) sobre o livro, fora de mercado, e por isso, ainda mais valioso...

Felizmente os bibliotecários da Academia e da Incrível Almadense estavam de sobreaviso e foram muito poucos os livros que a PIDE levou das duas bibliotecas (pouco mais de meia-dúzia...), quando as visitou... 

Mas vamos lá ler o que Romeu escreveu, na página dez, ainda em "Algumas Linhas Livres":

«Dois meses após a publicação, a PIDE procedia à apreensão do “Sábado sem Sol” (estímulo oficial tão frequente por esses tempos fascistas…), semeando o desgosto e a indignação na maioria dos meus leitores, e digo na maioria porque, inexplicavelmente, tristemente, houve, em Almada, quem, sentindo-se retratado nas páginas do livro, descesse à ignominia de me denunciar na sede da famigerada polícia política.»

(Na imagem o auto de apreensão do "Sábado sem Sol" na Biblioteca da Incrível Almadense, onde só descobriram dois livros...)

terça-feira, 14 de março de 2017

A Estreia Literária de Romeu Correia


A aproximação ao mundo da Cultura e aos livros foi o maior incentivo que Romeu poderia ter para escrever, escrever, até à publicação... O que aconteceria em 1947, com a edição do seu livro de contos, "Sábado sem Sol", edição apoiada pelas Bibliotecas da Academia e Incrível Almadense (para quem reverteu parte das receitas...).

Romeu explica muito bem tudo o que aconteceu nesta sua estreia literária, no seu texto de abertura da segunda edição  de 1975, "Algumas Linhas Livres" (página nove):

«Data dos fins de 1945 a minha crescente necessidade de passar ao papel várias histórias e figuras que povoavam o meu pequeno mundo. Testemunhar os problemas sociais, os conflitos de classe, os dramas humanos, revelando e condenando o mundo injusto e contraditório que nos rodeia e oprime, é a função primeira do contador de histórias. Foi o que fiz. Com alguma ficção para não irritar os patrícios, distanciei-me dos primitivos modelos utilizados, concluindo o meu livro no ano seguinte.»

segunda-feira, 6 de março de 2017

Romeu e a Biblioteca da Academia Almadense


O interesse cada vez maior de Romeu Correia pelas palavras e pelos livros fez com que fizesse parte do grupo de jovens que apoiaram Libânio Ferreira na fundação de uma biblioteca no seio da Academia Almadense, em 1942.

Mais uma vez vamos servir-nos da transcrição de um dos seus livros, na abertura da 2.ª edição do livro de contos "Sábado sem Sol" (página oito).

«Democrata de raiz, produto do espantoso movimento associativo do Concelho, explodi em busca de uma realização humana mais autêntica. Na companhia de outros jovens ligados à prática desportiva, que então ganharam interesse pela cultura e pela política (e aqui é justo destacar o Libânio Ferreira), criámos uma biblioteca popular na Academia Almadense. Esse grupo de jovens organizou um ciclo de palestras e recitais, contactando figuras de real valor no panorama artístico e cultural do País. Assim, visitaram-nos, por diversas vezes, o Fernando Lopes Graça e o seu heróico grupo coral, a Maria Barroso, a Irene Lisboa, o Alves Redol, a Maria Lamas, o Eduardo Luís Cortesão, o Nataniel Costa, o Vieira de Almeida, o Flausino Torres, o António José Saraiva, o Jorge de Macedo e outros.»

(Fotografia de autor desconhecido do Arquivo da Academia Almadense - Romeu é o primeiro da direita, com laço, ao lado de Libânio Ferreira, com fato mais claro, durante uma das visitas de Alves Redol a Almada)



quinta-feira, 2 de março de 2017

Romeu Correia: a Vocação de Contador de Histórias


Romeu Correia ainda nos anos 1930 descobre a sua vocação como contador de histórias, ao mesmo tempo que pisa os palcos pela primeira vez, como actor, e escreve os seus primeiros diálogos, primeiro para as cégadas do carnaval e depois para pequenas dramaturgias.

Romeu explica isso muito bem no texto que apresenta e explica o "Sábado sem Sol" ("Algumas Linhas Breves", página 7), na sua 2.ª edição, refundida, editada em 1975, que transcrevemos:

«Ligado à geração de jovens almadenses entusiastas pela cultura física e pela prática do atletismo, descobrira, entretanto, uma nova prenda: vocação para contador de histórias. Anos antes, em 1938, havia tentado o teatro, pelo Carnaval, na Academia de Instrução e Recreio Familiar Almadense, de que em 1895, meu avô paterno, José Henrique Correia, fora um dos sócios fundadores. No Outono de 40, Manuel Araújo, talentoso amador dramático, havia posto sobre as tábuas do palco um drama meu, aliás muito aristotélico, intitulado “Razão”, que provocara na plateia familiar desse tempo uma grande efusão de lágrimas e palmas.»