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quarta-feira, 23 de maio de 2018

Sábado com Sol e com Romeu em Almada (um)



Na manhã de sábado a Comunidade de Leitores da Biblioteca Municipal José Saramago, do Feijó, organizou um encontro em Almada com as Comunidades de Leitores de Montemor-o-Velho e de Sines, com o objectivo de visitarem vários lugares ligados à vida literária de Romeu Correia, guiados pela professora Edite Condeixa e pelo bibliotecário Davide Freitas. 

Além da visita, houve também espaço para a leitura de alguns trechos dos seus livros, nos lugares descritos por Romeu.

A Biblioteca da Incrível (e o seu espaço museológico) foi um dos espaços da visita, que terá agradado às três dezenas de visitantes, alguns dos quais ouviram falar pela primeira vez da história gloriosa da Incrível Almadense nesta manhã luminosa.

A recepção a todos estes amantes de livros foi feita pelos seguintes dirigentes incríveis: Alfredo Guaparrão dos Santos, Joaquim Brás, Leonor Borges, Luís Milheiro e Vitor Soeiro.

(Fotografia Luís Eme)

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

"Rio de Contos" com Romeu Correia


«Nos dias 8, 9 e 10 de Setembro a Divisão de Arquivo e Bibliotecas, dinamiza o 3º Encontro de Narração Oral de Almada, Rio de Contos, o qual ocorrerá nas freguesias de Almada e Pragal.

O programa do 3º Encontro de Narração Oral de Almada, Rio de Contos,  pretende também contribuir para assinalar o 100º aniversário de nascimento de Romeu Correia e também o 20º aniversário do Fórum Municipal que tem o seu nome, concentrando as atividades neste equipamento e na sua envolvente.



As histórias vão sair da biblioteca e vão até ao Restaurante Forno de Cima para ouvir e contar histórias vividas com Romeu Correia e no dia 9 vão espalhar-se pelo parque num piquenique de histórias, continuando no domingo dia 10  na Biblioteca.»

(Notícia difundida pela Biblioteca Municipal de Almada)

sábado, 26 de agosto de 2017

Alexandre Castanheira, Amigo e Biógrafo de Romeu Correia


Alexandre Castanheira faz hoje 90 anos (embora só tenha sido registado em 28 de Fevereiro de 1928) e faz todo o sentido escrever sobre ele no blogue sobre a vida e obra de Romeu Correia, especialmente hoje.

Primeiro que tudo Alexandre e Romeu foram amigos, ambos estavam  ligados às bibliotecas das duas principais Colectividades Almadenses (Incrível e Academia), quando estas apoiaram a estreia literária de Romeu, com o livro de contos, "Sábado sem Sol".

Fruto dessa amizade e admiração, Alexandre acabou por escrever o livro, "Romeu Correia, Memória Viva de Almada", publicado em 1992 pela Câmara Municipal de Almada.

Esta obra acaba por complementar uma outra biografia da autoria de Alexandre M. Flores, também editada pelo Município de Almada, em 1987, "Romeu Correia, o Homem e o Escritor".

Neste livro - que aconselhamos vivamente a todos os apaixonados pela obra de Romeu - Alexandre Castanheira, além de contar a vida de Romeu, liga-o a Almada, às pessoas e aos lugares, utilizando várias transcrições dos seus livros, numa bela viagem literária. 

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Romeu Correia Homenageado em Almada no Dia Internacional dos Arquivos


Romeu Correia foi homenageado ao fim da tarde pelo Arquivo Histórico de Almada, com a apresentação do número 30 do boletim de fontes documentais, "Almada na História", editado pelo Município de Almada, que foi o fechar com "chave de ouro", as comemorações do Dia Internacional dos Arquivos em Almada.

Há vários artigos importantes neste boletim /revista, como o "Processo de Censura da peça de teatro Bocage", de 1965; a "Deliberação da atribuição do nome de Romeu Correia a uma rua de Almada", 1970; além de duas entrevistas importantes dadas ao "Jornal de Letras", em 1962 ou à revista "Flama", em 1972. 

A capa do boletim é ilustrada pela capa do disco histórico "Luísa Basto canta Romeu Correia", editado pela CM Almada em 1987 e a redacção de Carlos Roupa e Paulo Reis.

Depois das primeiras palavras de Armando Correia, responsável municipal pelas bibliotecas e arquivos de Almada, foram convidados a sentarem-se no espaço central da sala Luísa Basto, João Fernando, Alexandre M. Flores, Julieta Correia, Vasco Branco, para falarem do boletim e de Romeu Correia, numa conversa informal moderada por Eunice Figueiredo e Otília Rosado, a responsável e a coordenadora do Arquivo Histórico de Almada.

sábado, 27 de maio de 2017

A Palestra do Romeu, das Bibliotecas e da Cultura


Vamos abrir uma excepção aqui no blogue, oferecendo-lhe um cunho mais pessoal, pelo facto de termos sido o convidado para falar no Centro de Documentação  de Instituições Religiosas e da Família, que se situa anexado à bonita capela de S. João da Ramalha, sobre "Romeu Correia, as Bibliotecas Populares e a Cultura em Almada", transcrevendo a notícia que publicámos no nosso blogue, "Casario do Ginjal".

«Ontem acabei por ter uma bela surpresa, no Centro de Documentação das Instituições Religiosas e da Família, por ver na assistência muitas pessoas que não conhecia, para além dos amigos, claro, que não nos deixam "desamparados" nestes momentos.
E nem vou falar de uma Amiga que veio de mais longe, e por ser de fora, andou perdida por Almada, encontrando a Capela da Ramalha, já próximo do fim. As surpresas, mesmo as boas, nem sempre correm da melhor maneira...
Apesar de ter cinco folhas com palavras, funcionaram mais como auxiliares, pois acabei por falar quase de improviso, prolongando até um pouco a palestra. Isso aconteceu pelo entusiasmo que fui sentindo, ao falar sobretudo do Romeu Correia (fiquei com a sensação de que falei mais dele e da sua obra que das Bibliotecas e da Cultura Almadense...), e também por descobrir interesse nos olhares da plateia...
Houve também algumas intervenções da plateia, que acabaram por enriquecer a sessão.
Um dos aspectos mais importantes que retive, foi ter conseguido despertar a curiosidade e o interesse pela obra teatral do Romeu, que penso ser a mais desconhecida da maior parte das pessoas.»

(Fotografia de Diamantino Lourenço)

sexta-feira, 24 de março de 2017

O 1º Percurso do Roteiro Literário de Romeu Correia


A concentração estava marcada para as 14.30 horas de quinta, junto dos Paços do Concelho. As escadas do velho edifício foram ficando cada vez com mais pessoas... para gáudio das professoras Edite Condeixa e Ângela Mota, as animadoras deste projecto da USALMA.

Depois foram lidas as primeiras transcrições das obras do Romeu Correia, localizadas naquele espaço.


De seguida desceu-se a avenida Heliodoro Salgado, com paragem na casa dos tios, José Carlos de Melo e Julieta Correia, onde Romeu também viveu, com mais leituras...


Voltou a subir-se a avenida, na direcção da rua Capitão Leitão, para a visita à Incrível Almadense, ao seu espaço museológico e à biblioteca, com uma ligeira paragem na sala de reuniões da Sociedade Centenária, onde se falou um pouco da história da Incrível, do apoio das bibliotecas da Incrível e da Academia ao primeiro livro do Romeu, o "Sábado sem Sol", com intervenções de Alexandre Castanheira, Carlos Guilherme e Luís Milheiro.

Este primeiro percurso teve o seu términos no Museu da Música Filarmónica, com visita guiada de João Valente, ao qual não faltou a visualização do filme interactivo sobre o maestro Leonel Duarte Ferreira e a Vila de Almada.

Estamos certos que as mais de quatro dezenas de pessoas que participaram nesta iniciativa, ficaram bastante mais enriquecidas em relação à obra de Romeu Correia e também à História de Almada, no final da visita.

(Fotografias de Luís Eme)

quarta-feira, 22 de março de 2017

A Inveja e a Má Língua à Solta com o "Sábado sem Sol"


O "Sábado sem Sol" foi um livro que deixou várias marcas em Almada e nos almadenses nesses já longinquos anos 1940. Os primeiros que fizeram soltar o seu "fel", foram os que acharam que estavam dentro do livro de Romeu Correia. Uns bem retratados, outros a cirandar nas proximidades. Foi esta gente que denunciou o livro à GNR, à PIDE e à censura, em nome dos "bons costumes" da época...

Outra das marcas que ficou e quase que destruiu uma amizade, foi o boato que alguns invejosos levantaram, de que quem tinha escrito o livro de contos tinha sido Libânio Ferreira... Mesmo sendo mentira afectou o relacionamento destes dois grandes académicos, que por amor aos livros criaram a Biblioteca da Academia alguns anos antes, com outros amigos.

(Alves Redol, Leonel Duarte Ferreira e Eduardo Cortesão rodeiam Libânio Ferreira e Romeu Correia neste "recorte" da fotografia tirada durante a visita do escritor ribatejano a Almada) 

quarta-feira, 15 de março de 2017

A Boa Publicidade da Censura ao "Sábado sem Sol"


Apesar do susto que Romeu Correia apanhou, a apreensão do livro de contos, "Sábado sem Sol", acabou por ser a melhor publicidade que se poderia fazer a uma primeira obra.

A sua proibição levantou uma grande curiosidade nos leitores (tanto nos oposicionistas como nos almadenses...) sobre o livro, fora de mercado, e por isso, ainda mais valioso...

Felizmente os bibliotecários da Academia e da Incrível Almadense estavam de sobreaviso e foram muito poucos os livros que a PIDE levou das duas bibliotecas (pouco mais de meia-dúzia...), quando as visitou... 

Mas vamos lá ler o que Romeu escreveu, na página dez, ainda em "Algumas Linhas Livres":

«Dois meses após a publicação, a PIDE procedia à apreensão do “Sábado sem Sol” (estímulo oficial tão frequente por esses tempos fascistas…), semeando o desgosto e a indignação na maioria dos meus leitores, e digo na maioria porque, inexplicavelmente, tristemente, houve, em Almada, quem, sentindo-se retratado nas páginas do livro, descesse à ignominia de me denunciar na sede da famigerada polícia política.»

(Na imagem o auto de apreensão do "Sábado sem Sol" na Biblioteca da Incrível Almadense, onde só descobriram dois livros...)

terça-feira, 14 de março de 2017

A Estreia Literária de Romeu Correia


A aproximação ao mundo da Cultura e aos livros foi o maior incentivo que Romeu poderia ter para escrever, escrever, até à publicação... O que aconteceria em 1947, com a edição do seu livro de contos, "Sábado sem Sol", edição apoiada pelas Bibliotecas da Academia e Incrível Almadense (para quem reverteu parte das receitas...).

Romeu explica muito bem tudo o que aconteceu nesta sua estreia literária, no seu texto de abertura da segunda edição  de 1975, "Algumas Linhas Livres" (página nove):

«Data dos fins de 1945 a minha crescente necessidade de passar ao papel várias histórias e figuras que povoavam o meu pequeno mundo. Testemunhar os problemas sociais, os conflitos de classe, os dramas humanos, revelando e condenando o mundo injusto e contraditório que nos rodeia e oprime, é a função primeira do contador de histórias. Foi o que fiz. Com alguma ficção para não irritar os patrícios, distanciei-me dos primitivos modelos utilizados, concluindo o meu livro no ano seguinte.»

segunda-feira, 6 de março de 2017

Romeu e a Biblioteca da Academia Almadense


O interesse cada vez maior de Romeu Correia pelas palavras e pelos livros fez com que fizesse parte do grupo de jovens que apoiaram Libânio Ferreira na fundação de uma biblioteca no seio da Academia Almadense, em 1942.

Mais uma vez vamos servir-nos da transcrição de um dos seus livros, na abertura da 2.ª edição do livro de contos "Sábado sem Sol" (página oito).

«Democrata de raiz, produto do espantoso movimento associativo do Concelho, explodi em busca de uma realização humana mais autêntica. Na companhia de outros jovens ligados à prática desportiva, que então ganharam interesse pela cultura e pela política (e aqui é justo destacar o Libânio Ferreira), criámos uma biblioteca popular na Academia Almadense. Esse grupo de jovens organizou um ciclo de palestras e recitais, contactando figuras de real valor no panorama artístico e cultural do País. Assim, visitaram-nos, por diversas vezes, o Fernando Lopes Graça e o seu heróico grupo coral, a Maria Barroso, a Irene Lisboa, o Alves Redol, a Maria Lamas, o Eduardo Luís Cortesão, o Nataniel Costa, o Vieira de Almeida, o Flausino Torres, o António José Saraiva, o Jorge de Macedo e outros.»

(Fotografia de autor desconhecido do Arquivo da Academia Almadense - Romeu é o primeiro da direita, com laço, ao lado de Libânio Ferreira, com fato mais claro, durante uma das visitas de Alves Redol a Almada)