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quinta-feira, 23 de abril de 2020

Um Livro por Mês (3)


"Calamento" foi a terceira obra publicada por Romeu Correia, em 1950, e talvez a que se aproxime mais do neorealismo.

Romeu para a escrever, esteve mesmo a viver na Costa de Caparica com pescadores e familiares, tentando depois recriar o seu dia-a-dia. O mais curioso foi ele ter decidido usar os mesmos termos usados pela gente do mar, na conversação, enriquecendo muito este livro, o que faz dele algo úníco no seu universo literário e até mesmo na nossa literatura.

O crítico João Gaspar Simões escreveu o seguinte: 

«Que belas páginas as páginas deste livro onde o rude pescador e a bárbara aparadeira da Costa de Caparica, dessas paragens às portas de Lisboa - o mais civilizado centro urbano da nossa Pátria! - se recortam em toda a rude impulsividade das suas naturezas brutas como as ondas do mar e as rochas da praia!»

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Um Livro por Mês (2)


O primeiro romance de Romeu Correia foi o "Trapo Azul", editado em 1948, numa edição de autor, que acabou por ser, de alguma forma, a continuidade de um dos contos mais polémicos do "Sábado sem Sol".

Romeu voltou ao pequeno mundo das "costureiras", tão exploradas pelas "mestras", oferecendo-lhe mais profundidade e dramatismo.

O romance voltou a ser bem acolhido pela crítica, especialmente por João Gaspar Simões, que escreveu no "Sol" (21 de Maio de 1949):

«… E o certo é que não conheço romance português (“Trapo Azul”) de intuitos “populistas” onde o povo, na sua trivial realidade, seja evocado com mais verdade e maior força.»

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Um Livro por Mês (1)


Foi-me sugerido, falar dos livros de Romeu Correia aqui no blogue. Embora tenha ido falando dos seus livros, acho que nunca me foquei apenas na sua obra literária.

Esta ideia acaba por ser positiva, por que faz com que mantenha o blogue mais activo, ou seja, graças aos seus livros, acabo por publicar um texto (por muito pequeno que seja) por mês.

Vou começar pelo seu livro inicial, "Sábado sem Sol", uma colectânea dos seus primeiros contos que ele e os amigos acharam publicáveis.

Devo realçar que a grande publicidade a este livro foi feita pela PIDE, que ao apreender a obra (visitou livrarias e bibliotecas populares...), despertou ainda uma maior curiosidade nos leitores.

Eis a opinião de João Madeira, publicada na revista "História", de Dezembro de 2002.

«Foi esse intenso universo de trabalho, que o escritor Romeu Correia convocaria a contos de Sábado Sem Sol, de 1947, ou o romance Os Tanoeiros, de 1952, ambos implacavelmente proibidos pela censura. Quando reeditados, pouco depois do 25 de Abril, já os ritmos do Ginjal eram outros, soçobrando face às importantes mudanças das décadas de sessenta e setenta, impondo-se na estrutura e nos sectores produtivos aí implantados.»
                                                                 

domingo, 3 de dezembro de 2017

o "romeo", número dois...


Com algum atraso saiu o número dois do "romeo" (fanzine quase literário de almada).

Como o título da capa indica, "romeu correia, escritor de almada (e do mundo, claro...), é valorizada a sua componente regional, que Romeu assumia sem qualquer problema, com orgulho de ser almadense.

Terá de certeza artigos com interesse para todos aqueles que gostam do Grande Escritor de Almada e da sua obra.

domingo, 24 de setembro de 2017

Romeu e a Crítica Literária de João Gaspar Simões


Se falei do volume da crítica teatral, não poderia ignorar o de crítica literária ("Crítica III- Romancistas Contemporâneos, 1942 - 1961"), no qual João Gaspar Simões fala das seguintes obras de Romeu Correia: "Trapo Azul" (p 267); "Calamento" (p 273); "Gandaia" (p 278).

Achei curiosas as palavras do crítico ao escritor Romeu Correia, na sua primeira nota crítica:  [...] «Romeu Correia, autor de dois livros apenas, Sábado sem Sol, que não conheço, e Trapo Azul, de que me estou ocupando - é um jovem cheio de talento que insuflou ao "neo-realismo" decrépito uma vida que o "neo-realismo" nunca tivera entre nós. Ao que suponho, Romeu Correia não é um bacharel enamorado dos bas-fonds da vida proletária nacional - é um operário que no seu autodidactismo encontrou maneira de animar literariamente a experiência de algumas vidas que ao trabalho manual devem as canseiras do corpo e as feridas do coração.» [...]

sábado, 23 de setembro de 2017

Romeu e a Crítica Teatral de João Gaspar Simões


A Imprensa Nacional - Casa da Moeda editou a Crítica de um dos mais conceituados críticos literários do nosso país, João Gaspar Simões.

Há dois volumes que fazem referência à obra de Romeu Correia. Um deles é o "Crítica VI - O Teatro Contemporâneo, 1942 - 1982".

Quem se interessa por teatro poderá ler neste volume a crítica às seguintes peças de Romeu: "Jangada" (p 154); "Bocage" (p 165); "Amor de Perdição" (173); "Três Peças: Sol da Floresta, Laurinda e Céu da Minha Rua" (p 183); "O Cravo Espanhol (199).

É importante destacar que João Gaspar Simões gostou de uma forma geral da obra romanesca e teatral de Romeu Correia.

Foi por isso que numa das suas entrevistas, Romeu ("Ponto", 20 de Maio de 1982) se referiu desta forma ao crítico: «Gaspar Simões foi o grande crítico da minha geração. Todos os escritores portugueses que tiveram (ou tenham) algum merecimento, ele não os esquece, ele os referiu e refere, Tenho para com ele, uma grande dívida de gratidão: tratou de maneira benévola e reconfortante, os meus primeiros três romances, o que constituiu poderoso estimulo para o escritor incipiente que eu era.»