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domingo, 24 de setembro de 2017

Romeu e a Crítica Literária de João Gaspar Simões


Se falei do volume da crítica teatral, não poderia ignorar o de crítica literária ("Crítica III- Romancistas Contemporâneos, 1942 - 1961"), no qual João Gaspar Simões fala das seguintes obras de Romeu Correia: "Trapo Azul" (p 267); "Calamento" (p 273); "Gandaia" (p 278).

Achei curiosas as palavras do crítico ao escritor Romeu Correia, na sua primeira nota crítica:  [...] «Romeu Correia, autor de dois livros apenas, Sábado sem Sol, que não conheço, e Trapo Azul, de que me estou ocupando - é um jovem cheio de talento que insuflou ao "neo-realismo" decrépito uma vida que o "neo-realismo" nunca tivera entre nós. Ao que suponho, Romeu Correia não é um bacharel enamorado dos bas-fonds da vida proletária nacional - é um operário que no seu autodidactismo encontrou maneira de animar literariamente a experiência de algumas vidas que ao trabalho manual devem as canseiras do corpo e as feridas do coração.» [...]

sábado, 23 de setembro de 2017

Romeu e a Crítica Teatral de João Gaspar Simões


A Imprensa Nacional - Casa da Moeda editou a Crítica de um dos mais conceituados críticos literários do nosso país, João Gaspar Simões.

Há dois volumes que fazem referência à obra de Romeu Correia. Um deles é o "Crítica VI - O Teatro Contemporâneo, 1942 - 1982".

Quem se interessa por teatro poderá ler neste volume a crítica às seguintes peças de Romeu: "Jangada" (p 154); "Bocage" (p 165); "Amor de Perdição" (173); "Três Peças: Sol da Floresta, Laurinda e Céu da Minha Rua" (p 183); "O Cravo Espanhol (199).

É importante destacar que João Gaspar Simões gostou de uma forma geral da obra romanesca e teatral de Romeu Correia.

Foi por isso que numa das suas entrevistas, Romeu ("Ponto", 20 de Maio de 1982) se referiu desta forma ao crítico: «Gaspar Simões foi o grande crítico da minha geração. Todos os escritores portugueses que tiveram (ou tenham) algum merecimento, ele não os esquece, ele os referiu e refere, Tenho para com ele, uma grande dívida de gratidão: tratou de maneira benévola e reconfortante, os meus primeiros três romances, o que constituiu poderoso estimulo para o escritor incipiente que eu era.»

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Os "Bonecos de Luz" de Fernando Barão


Em 1978 Fernando Barão publicou o poema "Bonecos de Luz" no jornal "Praia do Sol", dirigido por António Correia, homenageando Romeu Correia, que neste ano recebeu a Medalha de Ouro da Cidade de Almada.


Bonecos de Luz
  
Continuam a ser de luz
Os teus bonecos
Mas de luz escarlate,
Porque o sangue
Palpita nas suas entranhas,
Disseste sempre, não,
Aos bonecos de serradura:
E esses, estavam
Vazios de cor.
Não falavam
Não gesticulavam
Não levantavam
Os olhos
Nem os punhos.
Nos teus bonecos, Romeu,
Existe vida.
Há inspiração,
Há uma felicidade
Conjunta…
Nos teus bonecos, Romeu,
Há esperança
A esperança da nova luz,
Da luz,
Que há-de inundar
Um dia
A Humanidade.

Fernando Barão


sábado, 27 de maio de 2017

A Palestra do Romeu, das Bibliotecas e da Cultura


Vamos abrir uma excepção aqui no blogue, oferecendo-lhe um cunho mais pessoal, pelo facto de termos sido o convidado para falar no Centro de Documentação  de Instituições Religiosas e da Família, que se situa anexado à bonita capela de S. João da Ramalha, sobre "Romeu Correia, as Bibliotecas Populares e a Cultura em Almada", transcrevendo a notícia que publicámos no nosso blogue, "Casario do Ginjal".

«Ontem acabei por ter uma bela surpresa, no Centro de Documentação das Instituições Religiosas e da Família, por ver na assistência muitas pessoas que não conhecia, para além dos amigos, claro, que não nos deixam "desamparados" nestes momentos.
E nem vou falar de uma Amiga que veio de mais longe, e por ser de fora, andou perdida por Almada, encontrando a Capela da Ramalha, já próximo do fim. As surpresas, mesmo as boas, nem sempre correm da melhor maneira...
Apesar de ter cinco folhas com palavras, funcionaram mais como auxiliares, pois acabei por falar quase de improviso, prolongando até um pouco a palestra. Isso aconteceu pelo entusiasmo que fui sentindo, ao falar sobretudo do Romeu Correia (fiquei com a sensação de que falei mais dele e da sua obra que das Bibliotecas e da Cultura Almadense...), e também por descobrir interesse nos olhares da plateia...
Houve também algumas intervenções da plateia, que acabaram por enriquecer a sessão.
Um dos aspectos mais importantes que retive, foi ter conseguido despertar a curiosidade e o interesse pela obra teatral do Romeu, que penso ser a mais desconhecida da maior parte das pessoas.»

(Fotografia de Diamantino Lourenço)

terça-feira, 18 de abril de 2017

A "Gandaia"


Em 1952 Romeu Correia publicou mais um romance, desta vez na Guimarães & C.ª Editores, a "Gandaia", que o levou de regresso ao Ginjal,  à infância e a tudo aquilo que presenciou diariamente. Nesta obra Romeu realça de uma forma muito viva a vida difícil dos tanoeiros, que decidem em boa hora criar uma cooperativa, que acabaria por ser boicotada pelos donos dos armazéns de vinho da Margem Sul... 

O neo-realismo continua muito presente neste livro, com Romeu a falar do povo e de todos os seus problemas, mas também da sua ligação ao associativismo, essa marca almadense, neste caso particular, à Incrível Almadense.

Em 1976 a "Gandaia" foi refundida  e passou a ter o título inicial (que não foi permitido pela Censura...), "Os Tanoeiros".

A capa desta primeira edição voltou a ser realizada pelo pintor Manuel Ribeiro de Pavia (tal como acontecera com o "Calamento").

quarta-feira, 22 de março de 2017

A Inveja e a Má Língua à Solta com o "Sábado sem Sol"


O "Sábado sem Sol" foi um livro que deixou várias marcas em Almada e nos almadenses nesses já longinquos anos 1940. Os primeiros que fizeram soltar o seu "fel", foram os que acharam que estavam dentro do livro de Romeu Correia. Uns bem retratados, outros a cirandar nas proximidades. Foi esta gente que denunciou o livro à GNR, à PIDE e à censura, em nome dos "bons costumes" da época...

Outra das marcas que ficou e quase que destruiu uma amizade, foi o boato que alguns invejosos levantaram, de que quem tinha escrito o livro de contos tinha sido Libânio Ferreira... Mesmo sendo mentira afectou o relacionamento destes dois grandes académicos, que por amor aos livros criaram a Biblioteca da Academia alguns anos antes, com outros amigos.

(Alves Redol, Leonel Duarte Ferreira e Eduardo Cortesão rodeiam Libânio Ferreira e Romeu Correia neste "recorte" da fotografia tirada durante a visita do escritor ribatejano a Almada)