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domingo, 17 de novembro de 2019

Romeu Correia e o Ginjal


No dia de aniversário, recorda-se Romeu Correia e a sua forte ligação ao Ginjal, onde cresceu e se fez homem.


E porque não escritor? Tantas foram as histórias e os sonhos que tiveram como palco este lugar, tão especial, de Almada...

domingo, 7 de abril de 2019

O Tejo, Romeu, Almada e Lisboa...


Romeu Correia, o grande escritor de Almada, também se inspirou no Tejo (que está presente em muitos dos seus livros). 

Ele que viveu parte da infância e adolescência no Cais de Ginjal, quase dentro do "Melhor Rio do Mundo"...

«A vila fica num alto e lá em baixo há o rio. Todo o estuário do Tejo pode ser observado lá de riba, e ainda o anfiteatro de Lisboa que, num rodar de cabeça, abrange do Bugio ao Poço do Bispo. Chama-se Almada, a vila. Terra que pertenceu à moirama, e agora é povoada por gente de trabalho que cedo se habituou a sociabilidade, fundando filarmónicas, centros recreativos e culturais, montepios, cooperativas de consumo e grupos desportivos.»
[...]

[Romeu Correia, in "Sábado sem Sol"]


(Fotografia de Luís Eme - Almada)

Nota: Texto e foto publicados inicialmente no blogue "Olha o Tejo...", de Luís Milheiro, que por razões óbvias, também surge neste blogue, que recorda e festeja Romeu Correia.

terça-feira, 18 de abril de 2017

A "Gandaia"


Em 1952 Romeu Correia publicou mais um romance, desta vez na Guimarães & C.ª Editores, a "Gandaia", que o levou de regresso ao Ginjal,  à infância e a tudo aquilo que presenciou diariamente. Nesta obra Romeu realça de uma forma muito viva a vida difícil dos tanoeiros, que decidem em boa hora criar uma cooperativa, que acabaria por ser boicotada pelos donos dos armazéns de vinho da Margem Sul... 

O neo-realismo continua muito presente neste livro, com Romeu a falar do povo e de todos os seus problemas, mas também da sua ligação ao associativismo, essa marca almadense, neste caso particular, à Incrível Almadense.

Em 1976 a "Gandaia" foi refundida  e passou a ter o título inicial (que não foi permitido pela Censura...), "Os Tanoeiros".

A capa desta primeira edição voltou a ser realizada pelo pintor Manuel Ribeiro de Pavia (tal como acontecera com o "Calamento").

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

O Ginjal sempre presente no imaginário de Romeu


Neste primeiro mês de 2017, procurámos revisitar a infância de Romeu, ainda que com alguma ligeireza. Claro que o seu fascínio pelo Ginjal manteve-se vivo a vida toda, pois foi ali que cresceu. viveu e testemunhou uma série de acontecimentos, que o marcariam para toda a vida.

Talvez seja essa a melhor explicação para que os seus dois últimos romances, "O Tritão" e "Cais do Ginjal", autobiográficos, tenham o Ginjal e o Tejo como principais cenários.

E por isso mesmo, lá vamos nós a mais uma transcrição ("O Tritão", página 11):

[...] «Aquele cais onde morávamos, essa muralha com uma longa correnteza de prédios, dera ensejo a curiosa adivinha que se perguntava ao serão:
- Porque se parece o cais do Ginjal com um colete?
E a resposta provocava risos:
- Porque tem casas só dum lado.» [...]

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Crescer na Companhia do Tejo, o melhor rio do Mundo...


Crescer no Ginjal fez com que Romeu Correia ficasse ligado ao Tejo para todo o sempre.

Foi ali que se habituou a ver a beleza das fragatas e de outros veleiros do rio, sempre de um lado para o outro, que assistiu à dança dos golfinhos, e mais importante ainda, que aprendeu a nadar junto dos outros rapazolas que se aventuravam com as primeiras braçadas, naquela quase piscina natural, protegidos pelo olhar atento dos mais velhos...

No Verão era um corrupio de gente a mergulhar nas águas do rio, como podemos vislumbrar através desta transcrição do "Cais do Ginjal" (página 73):

[...] «De manhã e de tarde o Cais do Ginjal era visitado por bandos de fedelhos que invadiam as muralhas e as praias. Os mais pitorrinhas punham-se em pelo, trazendo os mais espigadotes as ceroulas ou um trapo a ocultar o sexo. Também os trabalhadores dos armazéns e das tanoarias não recusavam, no fim da labuta, o salto para o rio, onde exibiam os mergulhos e as braçadas.» [...]

(Fotografia Luís Eme)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

A separação dos Pais no fim da meninice...


Em 1927 os pais de Romeu separaram-se... 

A Mãe e a Irmã vão viver para Lisboa, Romeu fica no Ginjal com o Pai, na casa dos avós paternos.

Esta separação acabaria por o marcar durante toda a adolescência, em que sentiu muito a falta de amor...

Transcrevemos do "Cais do Ginjal (página 20):

[...] «Eu teria uns dezassete anos por esse tempo. Era forte, puro e mui carecido de afecto e calor humano. Vivia com a avó Josefina e as duas tias solteiras no Cais do Ginjal, e o nosso viver era de pobres resignados, julgando cumprir um destino adverso. Após o divórcio dos meus pais e a morte do avô paterno, a nossa vida parara de espanto e indecisão.» [...]

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

A mudança para o Ginjal, espaço de tantos sonhos...


Com apenas um ano de idade Romeu e os pais mudaram-se de Cacilhas para o Ginjal, para a casa dos avós paternos, Josefina e José Correia (que tão importantes foram na sua vida...).

É aqui que cresce, deslumbrado com a beleza única do Tejo, com todo aquele movimento diário de operários junto ao cais e também com a miudagem que vagabundeava por ali, desde muito cedo entregues a eles próprios...


Não é  por acaso que o Tejo e o Ginjal são dois espaços com grande destaque na obra literária de Romeu Correia, especialmente nos livros: "Sábado sem Sol" (contos); "Trapo Azul" (romance); "Gandaia" - depois "Os Tanoeiros" - (romance); "Jangada" (teatro); "Um Passo em Frente" (contos); "Tritão" (romance) ou "Cais do Ginjal" (romance).

(Fotografias de Júlio Dinis e Luís Eme - o Ginjal nos anos 1950 e na actualidade. Romeu viveu na casa junto ao guindaste...)