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quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Um Livro por Mês...


Foi-me sugerido, falar dos livros de Romeu Correia aqui no blogue. Embora tenha ido falando dos seus livros, acho que nunca me foquei apenas na sua obra literária.

Esta ideia acaba por ser positiva, por que faz com que mantenha o blogue mais activo, ou seja, graças aos seus livros, acabo por publicar um texto (por muito pequeno que seja) por mês.

Vou começar pelo seu livro inicial, "Sábado sem Sol", uma colectânea dos seus primeiros contos que ele e os amigos acharam publicáveis.

Devo realçar que a grande publicidade a este livro foi feita pela PIDE, que ao apreender a obra (visitou livrarias e bibliotecas populares...), despertou ainda uma maior curiosidade nos leitores.

Eis a opinião de João Madeira, publicada na revista "História", de Dezembro de 2002.

«Foi esse intenso universo de trabalho, que o escritor Romeu Correia convocaria a contos de Sábado Sem Sol, de 1947, ou o romance Os Tanoeiros, de 1952, ambos implacavelmente proibidos pela censura. Quando reeditados, pouco depois do 25 de Abril, já os ritmos do Ginjal eram outros, soçobrando face às importantes mudanças das décadas de sessenta e setenta, impondo-se na estrutura e nos sectores produtivos aí implantados.»
                                                                 

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

"25, uma experiência associativa (1994-2019)" (com Romeu...)



«[...] Voltando ao jornalismo e à página que tinha no “Record” aos domingos (“Contraponto”), que me levou ao “Repuxo” (outro lugar especial, que merecerá um capítulo deste caderno e onde até então só entrara meia-dúzia de vezes, por pequenos “acasos”, como a proximidade da minha casa…), ao encontro de uma pessoa especial, o Henrique Mota, que não só me recebeu de braços abertos como se ofereceu para ser o meu segundo cicerone de Almada (depois de Romeu Correia, que também conhecera graças ao jornalismo e ao “Record”…).
Se com o Romeu andava mais dentro dos livros, dos teatros da vida e dos lugares mágicos, com o Henrique descobri a cidade povoada de pessoas vulgares, onde tudo funcionava de uma forma mais simples e aberta, quando a comparava com outros lugares, como a minha cidade da infância e adolescência.
E se foi bom descobrir uma empatia tão singular, em ambos os casos - o que fez com que não nos perdêssemos de vista até ambos partirem para o lado de lá -, sei também que a Almada do Henrique era mais autêntica. O que perdia em magia, ganhava em vida. [...]»

(Transcrição do primeiro capítulo, "Um Feliz Acaso no Começo de Tudo...")

quinta-feira, 15 de março de 2018

"Romeu Correia lembrado por Carlos Pinhão"


O livro é de Novembro de 1991, tem realização técnica de Vasco Rosa e capa de Henrique Cayatte incluindo tudo sobre o «I Congresso de Escritores de Língua Portuguesa»: discursos, comunicações, debates, moções e saudações. A Comissão Executiva integrou Alexandre Babo, Júlio Conrado, Wanda Ramos, Edite Estrela, Egito Gonçalves e Salvato Teles de Menezes. O texto de Carlos Pinhão intitula-se «Há uma literatura desportiva» e começa deste modo: «Os senhores desculpem mas há dias em que sou lido por um milhão de Portugueses, em Portugal e no estrangeiro.» A explicação é simples: nesse tempo um jogo Benfica-F.C.Porto dava origem a uma tiragem de 250 mil exemplares de A Bola e, como cada jornal em média era lido por 4 leitores, temos o tal milhão. A seguir Carlos Pinhão afirma: «Há uma literatura desportiva! Foi Ruy Belo quem o disse.» E explicando melhor, recorre às palavras do Poeta: «E é bom que ela exista, visto que existe um desporto, é natural que exista uma literatura sobre essa realidade». Entrevistado pelo jornal A Capital em 1969 e por A Bola em 1970, as suas palavras constam do livro Na senda da Poesia: «Penso que os jornalistas desportivos escrevem bem, conseguem uma coisa que eu gostaria que se conseguisse no domínio da cultura e que é a adesão do povo àquilo que escrevem.» Retomando as palavras de Carlos Pinhão, passamos a citar: «Essa adesão é particularmente significativa no tocante a muitos e muitos milhares de emigrantes portugueses que têm, nos jornais desportivos que recebem, o único elo que os liga à literatura da terra-mãe. Entretanto, continua a faltar, na literatura portuguesa, um romance que tenha por fundo o mundo do futebol, depois das experiências havidas com o romance de Hugo Rocha e, sobretudo, o de Romeu Correia, com o seu Desporto-Rei

[texto de José do Carmo Francisco - fotografia de autor desconhecido] 
     

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Romeu Correia - o vagabundo com mãos de povo


Só houve um jornal de âmbito nacional que se "lembrou" da passagem do Centenário do nascimento de Romeu Correia e lhe ofereceu duas páginas inteiras, num bela crónica, literária e memoralista, que também tem um bonito título, "Romeu Correia - o vagabundo com mãos de povo", assinada por Domingos Lobo.

Mesmo sendo um jornal partidário, o "Avante" merece o nosso mais vivo aplauso, por ser um semanário com memória, e neste caso particular, um "oásis" no nosso panorama cultural.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Mas Romeu já Está no Mapa de Almada...


Hoje lemos no "Diário de Notícias" um artigo de opinião curioso, de José Jorge Letria, presidente da SPA e pensámos logo no Romeu Correia.

[...] «Chamo a atenção para a oportunidade do lançamento de uma iniciativa intitulada Mapa dos Autores Portugueses, que a Sociedade Portuguesa de Autores está a concretizar, demonstrando que muitas são as autarquias e regiões cuja identidade se fortalece com a referência aos escritores, músicos, artistas visuais, dramaturgos e outros que nelas nasceram e se afirmaram como criadores de referência.
Faro é a cidade de António Ramos Rosa, Funchal de Herberto Helder, Vila Viçosa de Florbela Espanca, Setúbal de Manuel Maria Barbosa du Bocage, o Porto de Almeida Garrett, Sophia de Melo Breyner e José Gomes Ferreira, Lisboa de Cesário Verde, David Mourão-Ferreira, Alexandre O"Neill e Mário Cesariny, e Tomar de Fernando Lopes-Graça.
É possível, a partir destes e de dezenas de outros nomes importantes, sobretudo da segunda metade do século XIX e de todo o século XX, construir uma geografia de memória e afecto que abarque os nomes e as obras que nos completam e engrandecem. O Mapa dos Autores Portugueses pode e deve envolver as autarquias, eventualmente o Ministério da Educação e outras instituições públicas que representem o poder central, e ainda órgãos de comunicação social, editoras e estruturas associativas de referência. Como alguém disse, é até admissível que a partir deste quadro geral se possa criar uma toponímia mais abrangente e mobilizadora.
Até agora foram já identificados mais de 120 nomes que permitirão estabelecer uma relação de proximidade e celebração que envolva a SPA e muitas autarquias de todo o país.»

Espero que Romeu Correia esteja na lista de 120 nomes...

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Romeu Correia e a Associação de Socorros Mútuos 1º. Dezembro


Hoje o Blogue "Almada Virtual Museum" faz um pouco a história da Associação de Socorros Mútuos 1.º Dezembro, socorrendo-se de um manuscrito (que nunca chegou a livro, nem mesmo na comemoração do centenário do nascimento do seu autor, António Henriques, um dos grandes associativistas da nossa Terra...) de grande valor histórico, até aqui esquecido, em parte graças ao facto de a "ignorância ser mesmo atrevida"...

Romeu Correia também é recordado através da transcrição da sua crónica, "Cem anos de Amor ao Próximo", publicada no "Jornal de Almada" de 25 de Novembro de 1983, e escrita de homenagem a esta Associação mutualista de Almada.

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, 23 de setembro de 2017

Romeu e a Crítica Teatral de João Gaspar Simões


A Imprensa Nacional - Casa da Moeda editou a Crítica de um dos mais conceituados críticos literários do nosso país, João Gaspar Simões.

Há dois volumes que fazem referência à obra de Romeu Correia. Um deles é o "Crítica VI - O Teatro Contemporâneo, 1942 - 1982".

Quem se interessa por teatro poderá ler neste volume a crítica às seguintes peças de Romeu: "Jangada" (p 154); "Bocage" (p 165); "Amor de Perdição" (173); "Três Peças: Sol da Floresta, Laurinda e Céu da Minha Rua" (p 183); "O Cravo Espanhol (199).

É importante destacar que João Gaspar Simões gostou de uma forma geral da obra romanesca e teatral de Romeu Correia.

Foi por isso que numa das suas entrevistas, Romeu ("Ponto", 20 de Maio de 1982) se referiu desta forma ao crítico: «Gaspar Simões foi o grande crítico da minha geração. Todos os escritores portugueses que tiveram (ou tenham) algum merecimento, ele não os esquece, ele os referiu e refere, Tenho para com ele, uma grande dívida de gratidão: tratou de maneira benévola e reconfortante, os meus primeiros três romances, o que constituiu poderoso estimulo para o escritor incipiente que eu era.»

sábado, 16 de setembro de 2017

Romeu Correia na "Vértice"


Em Março de 1968 a "Vértice" - Revista de Cultura e Arte (n.º 294) - publicou as respostas de Romeu Correia ao inquérito que lhe fez sobre a "Situação do Teatro em Portugal".

Romeu nas suas dez respostas diz-nos muito sobre o  que pensava do teatro no nosso país, de uma forma geral.

Uma das respostas que achámos mais curiosas foi sobre o seu sentido prático nos palcos, a sua intervenção nas encenações (onde também historiou o seu percurso):

«Quando trabalho um texto de teatro, “experimento-o” a toda a hora sobre o palco da minha imaginação. Só assim a função é parida sem perder a medida e a força do espectáculo a que se destina. Muito cedo fui amador dramático e escrevinhador de farsas carnavalescas para as récitas das sociedades recreativas da minha terra. Sou um produto da intensa vida associativa de Almada.
Sei que o espectáculo teatral depende do trabalho de uma equipa que se quer humilde. Grupo cénico com intelectuais de ocasião a botar sentenças (e quantas vezes sem a mínima vocação para o teatro) é coisa condenada ao malogro. Quer isto dizer que, como autor de um texto, ouço todos os reparos, discuto-os – e aceito sem pestanejar as melhore sugestões. E assim continuarei.»

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Romeu Correia: Biógrafo de Grandes Desportistas


Felizmente a paixão de Romeu Correia pelo desporto nunca foi ofuscada pelas letras. 

O seu passado como atleta e treinador até poderá ter sido importante para que ele escrevesse o primeiro romance que se conhece sobre futebol no nosso país ("Desporto-Rei", em 1955). E antes já escrevera a pequena peça de apenas um acto com o mesmo título (que continua inédita..), que foi representada várias vezes, em tempos e circunstâncias diferentes.

Além de ter escrito dezenas de crónicas sobre grandes figuras do desporto, nas páginas do "Record" (final dos anos 1980) e posteriormente no "Jornal de Almada" (primeira metade dos anos 1990), foi o autor de três biografias sobre três grandes desportistas: "Francisco Stromp" (1973); "José Bento Pessoa" (1974);  "Jorge Vieira e o Futebol do Seu Tempo" (1981).

E em 1988 escreveu ainda o livro, "Portugueses na V Olimpíada", onde relata as aventuras da participação portuguesa nos Jogos de Estocolmo em 1912, com realce para a morte dramática de Francisco Lázaro, ocorrida durante a corrida da maratona...

sexta-feira, 21 de abril de 2017

O "Desporto-Rei"


Romeu Correia em 1955 fez algo completamente inédito para a época: escreveu um romance sobre o futebol, que dava os primeiros passos como espectáculo com uma grande carga emocional, carga essa que tem sido utilizada de uma forma crescente e cada vez mais alienante, até à actualidade.

O "Desporto-Rei" foi editado pela Livraria Clássica Editora.

Romeu nesta sua obra de ficção aborda toda a problemática que continua tão presente  nos estádios nos nossos dias, e que tem tão pouco de desporto. Romeu fala com clareza dos dirigentes sem escrúpulos, que já nesse tempo tentavam comprar os árbitros e contratavam jogadores estrangeiros que afastavam os portugueses das nossas principais equipas.

Curiosamente este livro foi mal recebido pela crítica especializada (jornalistas desportivos). Algo que desgostou o autor almadense (como nos confidenciaria muitos anos depois...) e que contribuiu para que não se tivesse feito uma segunda edição.