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terça-feira, 31 de outubro de 2017

Uma Oportunidade Perdida...


A organização da 21ª Mostra de Teatro de Almada, que apoia e dá palco aos grupos amadores do concelho, esqueceu-se do Romeu Correia dramaturgo, no ano da comemoração do centenário do seu nascimento.

A única excepção que confirma a regra é a Associação Manuel da Fonseca, que apresenta uma peça sobre o escritor almadense ("Romeu Correia Talvez Poeta"), da qual falaremos mais tarde.

Achámos sempre que ROMEU CORREIA deveria ser o "mote "da Mostra de Teatro, mesmo sem a obrigatoriedade da representação das suas peças. Mas quem tem a responsabilidade de organizar o evento pensou de outra maneira e a vida continua, assim como as comemorações do Centenário do Romeu...

sábado, 16 de setembro de 2017

Romeu Correia na "Vértice"


Em Março de 1968 a "Vértice" - Revista de Cultura e Arte (n.º 294) - publicou as respostas de Romeu Correia ao inquérito que lhe fez sobre a "Situação do Teatro em Portugal".

Romeu nas suas dez respostas diz-nos muito sobre o  que pensava do teatro no nosso país, de uma forma geral.

Uma das respostas que achámos mais curiosas foi sobre o seu sentido prático nos palcos, a sua intervenção nas encenações (onde também historiou o seu percurso):

«Quando trabalho um texto de teatro, “experimento-o” a toda a hora sobre o palco da minha imaginação. Só assim a função é parida sem perder a medida e a força do espectáculo a que se destina. Muito cedo fui amador dramático e escrevinhador de farsas carnavalescas para as récitas das sociedades recreativas da minha terra. Sou um produto da intensa vida associativa de Almada.
Sei que o espectáculo teatral depende do trabalho de uma equipa que se quer humilde. Grupo cénico com intelectuais de ocasião a botar sentenças (e quantas vezes sem a mínima vocação para o teatro) é coisa condenada ao malogro. Quer isto dizer que, como autor de um texto, ouço todos os reparos, discuto-os – e aceito sem pestanejar as melhore sugestões. E assim continuarei.»

terça-feira, 9 de maio de 2017

Um Feliz "Cravo Espanhol"


Tinha prometido falar do "Cravo Espanhol", apresentado no passado sábado no Auditório Lopes Graça do Fórum Romeu Correia, pelo grupo de teatro "Teatro da Terra". 

E vou começar pelo fim: sai muito satisfeito da sala de Almada, que foi de teatro, mas de teatro do bom, daquele que consegue comunicar com o público e passar-lhe as emoções.

Há muitas coisas que contribuíram para isso. A primeira é o excelente texto de Romeu Correia, que como se viu, está longe de ter parado no tempo. Oferece-nos o retrato de um divertimento que fez história em Almada, pelo carnaval: as célebres e inesquecíveis cégadas. A segunda a boa encenação de Maria João Luís, que agarrou no essencial do dramaturgo almadense. E a terceira, é a presença dos actores em palco, que viveram a espaços, aquilo que se pode chamar, de "uma grande cégada", para satisfação do público que esgotou a sala.

Pois é, afinal parece que as peças do Romeu, estão longe de estarem "desactualizadas", não se perderam no tempo (prometemos continuar a falar do teatro do Romeu este mês...)...

sábado, 29 de abril de 2017

Romeu Apostou a Sério no Teatro quando «Vestiu» o "Casaco de Fogo"


Não vamos fazer nenhuma ponte entre a forma como o "Desporto-Rei" foi recebido pela crítica e a sua aposta mais a sério no teatro. Até porque viu o seu "Casaco de Fogo" ser representado em 1953, no Teatro D. Maria II, ou seja dois anos antes da edição do romance.

O que sabemos é que o êxito desta peça fez com que não mais parasse de escrever dramas e de ser representado, em Lisboa, no Porto e também na Província, pelos grupos de teatro amadores.

Além do teatro ser uma experiência muito mais enriquecedora para ele, enquanto autor, Romeu também foi reconhecido em pouco tempo como um dos melhores dramaturgos portugueses contemporâneos.

Numa das muitas entrevistas que lhe fizeram fez a distinção entre os textos romanceados e dramáticos:

«São géneros diferentes e distintos.
Quanto ao teatro pode haver paragens e interrupções, a história dramática, dividida por cenas não se perde facilmente...»

As palavras de Romeu explicam em parte esta opção pelo teatro, uma escrita mais simples, que permite paragens e interrupções, o ideal para quem só escreve nas horas vagas...