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sábado, 29 de fevereiro de 2020

Um Livro por Mês...


O primeiro romance de Romeu Correia foi o "Trapo Azul", editado em 1948, numa edição de autor, que acabou por ser, de alguma forma, a continuidade de um dos contos mais polémicos do "Sábado sem Sol".

Romeu voltou ao pequeno mundo das "costureiras", tão exploradas pelas "mestras", oferecendo-lhe mais profundidade e dramatismo.

O romance voltou a ser bem acolhido pela crítica, especialmente por João Gaspar Simões, que escreveu no "Sol" (21 de Maio de 1949):

«… E o certo é que não conheço romance português (“Trapo Azul”) de intuitos “populistas” onde o povo, na sua trivial realidade, seja evocado com mais verdade e maior força.»

domingo, 24 de setembro de 2017

Romeu e a Crítica Literária de João Gaspar Simões


Se falei do volume da crítica teatral, não poderia ignorar o de crítica literária ("Crítica III- Romancistas Contemporâneos, 1942 - 1961"), no qual João Gaspar Simões fala das seguintes obras de Romeu Correia: "Trapo Azul" (p 267); "Calamento" (p 273); "Gandaia" (p 278).

Achei curiosas as palavras do crítico ao escritor Romeu Correia, na sua primeira nota crítica:  [...] «Romeu Correia, autor de dois livros apenas, Sábado sem Sol, que não conheço, e Trapo Azul, de que me estou ocupando - é um jovem cheio de talento que insuflou ao "neo-realismo" decrépito uma vida que o "neo-realismo" nunca tivera entre nós. Ao que suponho, Romeu Correia não é um bacharel enamorado dos bas-fonds da vida proletária nacional - é um operário que no seu autodidactismo encontrou maneira de animar literariamente a experiência de algumas vidas que ao trabalho manual devem as canseiras do corpo e as feridas do coração.» [...]

quinta-feira, 18 de maio de 2017

"O Rapaz Marinho"


O Museu da Cidade organiza durante esta semana uma História com Oficina com "O Rapaz Marinho", adaptada do romance autobiográfico de Romeu Correia, "O Tritão", que conta o encontro entre o velho marujo sabichão dos sete mares e um rapaz muito especial que vivia nas águas do Tejo.

É uma iniciativa vocacionada para as crianças das escolas do pré-escolar e do 1º ciclo e tem marcação prévia (16, 17 e 19 de Maio). 

sábado, 29 de abril de 2017

Romeu Apostou a Sério no Teatro quando «Vestiu» o "Casaco de Fogo"


Não vamos fazer nenhuma ponte entre a forma como o "Desporto-Rei" foi recebido pela crítica e a sua aposta mais a sério no teatro. Até porque viu o seu "Casaco de Fogo" ser representado em 1953, no Teatro D. Maria II, ou seja dois anos antes da edição do romance.

O que sabemos é que o êxito desta peça fez com que não mais parasse de escrever dramas e de ser representado, em Lisboa, no Porto e também na Província, pelos grupos de teatro amadores.

Além do teatro ser uma experiência muito mais enriquecedora para ele, enquanto autor, Romeu também foi reconhecido em pouco tempo como um dos melhores dramaturgos portugueses contemporâneos.

Numa das muitas entrevistas que lhe fizeram fez a distinção entre os textos romanceados e dramáticos:

«São géneros diferentes e distintos.
Quanto ao teatro pode haver paragens e interrupções, a história dramática, dividida por cenas não se perde facilmente...»

As palavras de Romeu explicam em parte esta opção pelo teatro, uma escrita mais simples, que permite paragens e interrupções, o ideal para quem só escreve nas horas vagas... 

sexta-feira, 21 de abril de 2017

O "Desporto-Rei"


Romeu Correia em 1955 fez algo completamente inédito para a época: escreveu um romance sobre o futebol, que dava os primeiros passos como espectáculo com uma grande carga emocional, carga essa que tem sido utilizada de uma forma crescente e cada vez mais alienante, até à actualidade.

O "Desporto-Rei" foi editado pela Livraria Clássica Editora.

Romeu nesta sua obra de ficção aborda toda a problemática que continua tão presente  nos estádios nos nossos dias, e que tem tão pouco de desporto. Romeu fala com clareza dos dirigentes sem escrúpulos, que já nesse tempo tentavam comprar os árbitros e contratavam jogadores estrangeiros que afastavam os portugueses das nossas principais equipas.

Curiosamente este livro foi mal recebido pela crítica especializada (jornalistas desportivos). Algo que desgostou o autor almadense (como nos confidenciaria muitos anos depois...) e que contribuiu para que não se tivesse feito uma segunda edição.

terça-feira, 18 de abril de 2017

A "Gandaia"


Em 1952 Romeu Correia publicou mais um romance, desta vez na Guimarães & C.ª Editores, a "Gandaia", que o levou de regresso ao Ginjal,  à infância e a tudo aquilo que presenciou diariamente. Nesta obra Romeu realça de uma forma muito viva a vida difícil dos tanoeiros, que decidem em boa hora criar uma cooperativa, que acabaria por ser boicotada pelos donos dos armazéns de vinho da Margem Sul... 

O neo-realismo continua muito presente neste livro, com Romeu a falar do povo e de todos os seus problemas, mas também da sua ligação ao associativismo, essa marca almadense, neste caso particular, à Incrível Almadense.

Em 1976 a "Gandaia" foi refundida  e passou a ter o título inicial (que não foi permitido pela Censura...), "Os Tanoeiros".

A capa desta primeira edição voltou a ser realizada pelo pintor Manuel Ribeiro de Pavia (tal como acontecera com o "Calamento").

quinta-feira, 13 de abril de 2017

O "Calamento"


Em 1950 a editorial Minerva edita o "Calamento", que na nossa opinião é a maior incursão de Romeu Correia pela corrente neo-realista, tão em voga na época.

Esta obra tem várias singularidades atrás de si. A maior de todas o facto de Romeu ter vivido  parte do Verão de 1949 na Costa de Caparica, com uma família de pescadores (na casa da Tia Adelaide Capote), para interiorizar o dia a dia difícil de quem vivia do mar, da melhor forma possível, para que o seu relato estivesse muito próximo da realidade (era quase uma exigência do neo-realismo...).

Podemos acrescentar que há uma riqueza de linguagem única nesta obra de Romeu Correia, com muitas palavras que hoje já estarão em desuso pelas gentes do mar, com que o autor descreveu os seus costumes e retratou todo o ambiente social, histórico e psicológico, que se vivia na Costa de Caparica, como a rivalidade entre os pescadores que vieram do Sul e os que tinham chegado do Norte...