sábado, 22 de julho de 2017

"Poeta Precisa-se" de Romeu Correia


Publicamos mais um poema da autoria de Romeu Correia do álbum, "Luisa Basto Canta Romeu Correia":


Poeta  Precisa-se

Preciso de um um poeta!
É urgente um poeta para esta minha voz.
Eu apelo a um poeta
Que diga não à fome
à guerra,
à exploração dos pobres e das crianças.
Um poeta para a minha voz abrir caminho
à felicidade dos homens!
à felicidade dos homens!
Tantos poetas no meu país !
O meu país é um país de poetas.
Mas tu meu irmão , onde estás?
Mas tu meu irmão onde estás?
É urgente um poeta!
Não um qualquer poeta,
um que me traga a palavra viva, necessária
para este meu canto!
Um poeta para a minha voz abrir caminho

à felicidade dos homens! 

Romeu Correia

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Os "Bonecos de Luz" de Fernando Barão


Em 1978 Fernando Barão publicou o poema "Bonecos de Luz" no jornal "Praia do Sol", dirigido por António Correia, homenageando Romeu Correia, que neste ano recebeu a Medalha de Ouro da Cidade de Almada.


Bonecos de Luz
  
Continuam a ser de luz
Os teus bonecos
Mas de luz escarlate,
Porque o sangue
Palpita nas suas entranhas,
Disseste sempre, não,
Aos bonecos de serradura:
E esses, estavam
Vazios de cor.
Não falavam
Não gesticulavam
Não levantavam
Os olhos
Nem os punhos.
Nos teus bonecos, Romeu,
Existe vida.
Há inspiração,
Há uma felicidade
Conjunta…
Nos teus bonecos, Romeu,
Há esperança
A esperança da nova luz,
Da luz,
Que há-de inundar
Um dia
A Humanidade.

Fernando Barão


domingo, 9 de julho de 2017

O "Regresso ao Ginjal" de Romeu...


No ano em que Romeu faria 90 anos (2007), escrevemos este poema:


Regresso ao Ginjal
  
Mesmo com o Sábado Sem Sol,
Não escondeu a emoção,
No regresso ao Cais do Ginjal...

Saiu do Alfa-Romeo
E deu Um Passo em Frente,
Com as mãos escondidas
No Casaco de Fogo.

Assim que espreitou o Ginjal
Recordou quase tudo,
De uma infância livre e feliz:
Dos primeiros jogos do Desporto-Rei,
Dos passeios de Jangada pelo rio,
Dos espectáculos de Bonecos de Luz,
Das oficinas dos Tanoeiros,
E claro, dos primeiros amores...
Sim, lembrou-se da Roberta,
Mas principalmente da Laurinda,
O seu Amor de Perdição,
A quem chamava: «O Céu da Minha Rua».

Mas também se lembrou de outras
Personagens inesquecíveis.
Era impossível esquecer
O José Bento Pessoa,
Fadista do Trapo Azul
E contador de histórias do Bocage
Ou o Jorge Vieira, conhecido
Como o Vagabundo das Mãos de Ouro,
Por transformar qualquer objecto perdido,
Numa obra de arte.

Os olhos estavam mais brilhantes
Que nunca, neste regresso a casa,
Cansado da sua vida de
Andarilho das Sete Partidas...

                                                    Luís [Alves] Milheiro


Viajámos por alguns títulos e lugares, e nem faltou um "Alfa-Romeo"...

(Fotografia de autor desconhecido)

quinta-feira, 6 de julho de 2017

A "Balada Ecológica" do Romeu


Como já contámos por aqui, Romeu Correia em 1987 escreveu vários poemas para o álbum " Luísa Basto Canta Romeu Correia", lançado em sua homenagem, na passagem do seu 70.º aniversário. Publicamos um que, embora não queira nada com a rima, ele fez questão de que fosse cantado (era o preferido dos netos, ainda pequenotes na época...).

Balada Ecológica

Tejo meu, rio nosso, Tejo amigo,por que corres tão sujo, poluído ?
Por que corres tão sujo, poluído ?  
Teus peixes, teus peixinhos e peixões
viviam tão felizes e comiam-se
tão fraternalmente. (bis)
Que saudades dos belos golfinhos
a bailar sobre as ondas…
Que é das ostras, camarões e lagostins?

Tejo meu, rio nosso, tejo amigo, por que corres tão sujo, poluído?
Que é das ostras, camarões e lagostins?

Tejo meu, rio nosso, tejo amigo, por que corres tão sujo, poluído?
Tejo meu, rio nosso ,Tejo amigo
que te fizeram os   homens,
alguns homens de negócios ?
Guerras  e tramoias ! Guerras e tramoias !
Ó meu Deus olhai pelos peixinhos deste mundo
e castigai os homens tubarões
glutões,  insaciáveis e perversos.

Tejo meu, rio nosso, Tejo amigo, por que corres tão sujo, poluído ?
Tejo meu, rio nosso, Tejo amigo…

Romeu Correia

Nota: Deixamos aqui um agradecimento especial à professora Edite Condeixa, que nos cedeu este poema e é (felizmente) uma das grandes activistas das comemorações do Centenário do Romeu.

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, 3 de julho de 2017

A Poesia com e de Romeu...


Neste mês quente de Julho escolhemos a Poesia, com e de Romeu Correia, para o homenagear.

E começamos por um poema descoberto hoje no blogue do Agrupamento de Escolas Romeu Correia, escrito por uma menina, Inês Carvalho, aluna do sétimo ano de escolariedade da turma A, que sintetiza de uma forma bonita a vida de Romeu...

Romeu Correia (pelo olhar da Inês…)


A 17 de novembro
Nasceu
Um rapaz chamado
Romeu

Foi desportista
Escritor
Um ficcionista
Com esplendor

No atletismo
Fez competição
E no boxe
Foi campeão

De contos e romances
Foi escritor
Mas o teatro
Era o seu grande amor

Com Almerinda
Casou
E nas corridas
A treinou

Ela correu e
Venceu
Graças ao seu
Romeu


A ilustração que escolhemos é a mesma que ilustrou este poema no blogue da Escola, com a devida vénia à autora, outra Inês, a Inês Torrão, aluno do sexto ano de escolaridade .

segunda-feira, 26 de junho de 2017

O Opúsculo da Apresentação da História da Academia


Um ano depois do lançamento da obra (1996),  Academia Almadense, Memória de 100 Anos", o texto da sua apresentação, da autoria de António Alberto C. P. Ramos e Luísa Maria Ramos, foi divulgado através de um pequeno opúsculo (que o pai dos dois apresentadores, Alberto Pereira Ramos, grande Académico e amigo do Romeu, me ofereceu...).

Este texto crítico faz uma análise à história da Academia, numa perspectiva social e até antropológica, focando sempre a importância das pessoas, das suas histórias, das suas vidas, algo sempre presente em toda a obra de Romeu Correia.

Transcrevemos um parágrafo, que nos diz muito sobre o livro (e a análise crítica efectuada):
«A Memória que agora temos presente, ultrapassa o simples biografismo, sobretudo devido ao colorido que a experiência ficcionista do autor lhe confere. Mas não só. Socorre-se da permanente inclusão das vidas e acontecimentos, nos contextos almadenses, nacionais e internacionais, remontando-os em cadeias de casualidade, à expressão dialéctica do patente e do oculto.»

Alberto Pereira Ramos também nos explicou o porque da escolha dos seus dois filhos, que além de serem professores, eram amigos e conhecedores da obra de Romeu. 
Foi a forma de evitar algum possível mal entendido entre os dois Alexandres, Castanheira e Flores (os principais candidatos a "apresentadores" do livro...), ambos seus amigos, biógrafos e conhecedores profundos do homem e do escritor...

sábado, 24 de junho de 2017

Academia Almadense - Memória de 100 Anos


 "Academia Almadense - Memória de 100 Anos", foi uma das últimas obras de Romeu Correia publicadas pelo autor almadense. 

Tratou-se de uma "encomenda" da sua Academia, que achou que o Romeu era a pessoa mais indicada para escrever o livro que contasse a história dos primeiros 100 anos da Colectividade de Almada.

Não foi um trabalho fácil. Lembramo-nos de Romeu nos relatar as dificuldades que estava a sentir, por ter "muito material para um livro só". Mas felizmente levou esta tarefa a bom porto e esta obra honra a história da Academia Almadense e da própria cidade de Almada, focando os aspectos mais importantes de um dos principais baluartes do Associativismo Almadense.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Passado e Presente do Movimento Associativo


"Passado e presente do Movimento Associativo - breve reflexão sobre a sua existência antes e depois de Abril", é um pequeno ensaio de Romeu Correia, que a C.M. Almada decidiu publicar num pequeno opúsculo (tinha sido publicado inicialmente na revista "Vértice", no número especial sobre a comemoração do 10.º aniversário do 25 de Abril de 1974).

Nesta pequena obra Romeu tenta fazer o retrato do movimento associativo, do século XIX até aos anos oitenta do século XX.

Um dos aspectos que o escritor almadense releva depois de Abril é a participação da Mulher neste mesmo associativismo, que transcrevemos com todo o gosto: 
«Os anos passaram e nas vizinhanças do 25 de Abril de 1974 algo se modificou no panorama associativo. Havia como que um pressentimento da Libertação. E talvez a nota mais curiosa tivesse partido do naipe feminino, que a pouco e pouco começou a evidenciar-se e a participar activamente no movimento associativo. A música e o desporto foram as modalidades em que a sua presença se fez mais notada. Voltando costas a velhos preconceitos, aprendem solfejo, fardam-se e alinham com os rapazes, marchando com eles lado a lado. Hoje as filarmónicas de norte a sul de Portugal contam com grande número de mulheres. Uma inovação que trinta anos antes nenhum de nós poderia profetizar.»

terça-feira, 20 de junho de 2017

Romeu Correia e a História de Almada


"Homens e Mulheres Vinculados às Terras de Almada (nas Artes, nas Letras e nas Ciências)", da autoria de Romeu Correia, continua a ser uma obra de referência para todos os estudiosos da História do Concelho de Almada.

Editada em 1978 pelo Município de Almada é uma das obras biográficas mais completas sobre os grandes almadenses, que se destacaram nas Artes, nas Letras e nas Ciências ao longo da história (tem biografias desde o século XVI até ao século XX).

Romeu Correia durante toda a sua vida foi recolhendo elementos sobre Almada, que acabariam por ser muito úteis para a realização deste livro ímpar. Contou também com o apoio de vários documentos e apontamentos que herdara do seu tio, José Carlos de Melo, grande associativista publicista e apaixonado pela história de Almada.

Embora muito boa gente ache que Romeu não foi apenas um escritor de Almada, mas sim do País e até do Mundo, ele nunca se cansou de dizer que só escrevia sobre o que conhecia... E é também por isso que encontramos vestígios dos lugares da sua meninice em tantas obras, sejam elas de ficção ou de teatro.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Romeu entre o "Desconforto" da Poesia e o Desafio do Disco...


Romeu Correia a espaços era um "poeta da prosa", mas isso acontecia naturalmente.

O que foi menos natural foi o desafio que lhes colocaram João Fernando e Luísa Basto, para que ele escrevesse poemas para um álbum de canções, cantados pela Luísa e com música do João.

Começou por dizer que não (a Luísa e o João contaram o episódio na apresentação do boletim "Almada na História"...), que não era poeta, que não sabia escrever poemas, etc. Mas com mais insistências e com o apoio de terceiras pessoas, lá se conseguiu que o Romeu escrevesse uma dúzia de poemas, num processo que teve tanto de delicado como de doloroso.

E o disco, "Luisa Basto canta Romeu Correia", acabou por ser editado (felizmente...) durante as comemorações do 70.º aniversário do Romeu, com um bonito espectáculo de apresentação na Academia Almadense.